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Conpresp e o Futuro do Tombamento da Escola Panamericana

Uma Análise da Votação do Destombamento e Suas Implicações para a Arquitetura de São Paulo

Conpresp e o Futuro do Tombamento da Escola Panamericana

Contexto do Tombamento da Escola Panamericana

Na tarde de segunda-feira, 27 de abril de 2026, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) retoma a votação sobre o recurso de destombamento da Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em Higienópolis. Este icônico edifício, conhecido pelo seu estilo "high-tech", é um marco na arquitetura paulista desde sua inauguração em 1998 e está envolto em um intenso debate entre preservação e desenvolvimento urbano.

A Polêmica em Torno do Tombamento

A disputa gira em torno dos interesses dos herdeiros de Enrique Lipszyc, fundador da instituição, e o arquiteto Siegbert Zanettini, que projetou o espaço. A Keeva Investimentos e Participações, empresa da família Lipszyc, requer a reversão do tombamento, questionando a viabilidade técnica e jurídica dessa proteção patrimonial. O presidente do conselho, Ricardo Ferrari, tem se mostrado favorável em sua posição anterior, mas agora precisa decidir a favor ou contra os interesses de desenvolvimento da área.

Implicações do Destombamento

Caso o tombamento seja revertido, as implicações vão além da simples decisão de manter ou não a estrutura. O futuro do imóvel pode estar em risco, levando a transformações significativas do espaço e do entorno. O advogado Luiz Carlos Andrezani argumenta que o tombamento é uma "restrição ao direito de propriedade", enquanto os suportes à preservação, como a Associação de Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados (Appit), defensores da proteção do patrimônio, advertem que isso poderia levar à "massificação sem critério" da arquitetura local.

A Importância Cultural e Histórica

A Escola Panamericana não é apenas um edifício; é um símbolo do contexto cultural e educacional de São Paulo. Em nota, a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), atual ocupante do espaço, reconhece a importância do imóvel, reiterando que, embora não sejam os proprietários, eles se posicionam em defesa da preservação do patrimônio por seu valor histórico e estético.

O arquiteto Zanettini, presente em um ato na escola, lembrou que a edificação é uma representação da arquitetura moderna e inclui elementos que remete a grandes obras internacionais, como o Centro Pompidou e a pirâmide do Museu do Louvre.

O Debate Atual e a Verticalização de Higienópolis

O contexto de verticalização na região, impulsionado pela nova Lei de Zoneamento, está tornando a luta pela preservação ainda mais relevante. Com novos empreendimentos sendo anunciados a uma quadra da escola, cidadãos e especialistas em arquitetura se organizam para defender a proteção de áreas que representam o passado e a identidade cultural de São Paulo, contrastando com as pressões por desenvolvimento e modernização.

Conclusão: O Futuro da Arquitetura em São Paulo

Assim, o que está em jogo na votação do Conpresp não é apenas o futuro da Escola Panamericana, mas a própria história e a identidade arquitetônica de uma das metrópoles mais vibrantes do mundo. Este caso serve como um microcosmo das tensões existentes entre a preservação do patrimônio e as demandas por crescimento urbano, desafiando a sociedade a refletir sobre qual legado deseja deixar para as futuras gerações.

Escrito por Equipe Portal CTMC