Um Mês no Panamá: Repensando o que o Desenvolvimento Imobiliário Pode Ser
Uma Experiência Transformadora no Coração de Santa Catalina

Introdução
Cherry Tang, estudante de mestrado em desenvolvimento imobiliário no MIT Center for Real Estate, teve a oportunidade de viver uma imersiva experiência de aprendizado no Panamá, colaborando com a Conservatorio, uma firma de desenvolvimento situada em Casco Viejo. O que começou como um exercício de modelagem financeira rapidamente se transformou em uma exploração mais profunda de como desenvolvimento, comunidade e meio ambiente se interconectam, moldados tanto por pessoas e cultura quanto pelo próprio trabalho.
Descobrindo Santa Catalina
O projeto estava centrado em Santa Catalina, uma remota cidade de surf na costa do Pacífico do Panamá. O desenvolvimento abrange aproximadamente 140 unidades residenciais, incluindo apartamentos, vilas e casas, além de terrenos vagos, quatro espaços comerciais, uma escola de surf com estádio e um restaurante com piscina — tudo concebido como o primeiro verdadeiro centro da cidade.

A primeira vista, Tang notou que Santa Catalina não se parecia com um típico “mercado prime” de desenvolvimento. Com infraestrutura limitada, baixa densidade e sem um núcleo estabelecido, o local parecia desprovisto de atrativos.
Entretanto, o que ela encontrou foi algo poderoso: surf de classe mundial e acesso ao Parque Nacional Coiba, um destino de mergulho renomado.
Planejamento e Integração Comunitária
O projeto foi concebido como uma comunidade planejada, aberta e caminhável, integrando-se perfeitamente à cidade existente. Ancorado na prática do surfe e mergulho, introduz uma mistura de produtos diversificados e um parque linear de 600 metros, posicionando-se como o futuro coração de Santa Catalina e uma alternativa diferenciada em relação aos desenvolvimentos locais e comunidades de estilo resort.
“Não se tratava de construir um resort, mas de criar um centro de gravidade para uma comunidade que nunca realmente teve um”, reflete Tang.
Modelagem Financeira e Envolvimento Prático
A principal função de Tang foi construir o modelo financeiro do projeto desde o zero. A estrutura de capital, com a terra contribuída como equity e depósitos de vendas utilizados para financiar a construção, exigiu uma forma de pensar diferente em relação às estruturas institucionais que ela havia usado anteriormente em Toronto e Boston.
“Foi mais do que um exercício técnico”, explica ela. “Reforçou como decisões financeiras, físicas e estratégicas estão profundamente interconectadas e como uma estrutura cuidadosa pode desbloquear projetos que de outra forma poderiam não ser viáveis.”
Conexões com a Comunidade
Dentre as experiências marcantes, Tang e seus colegas se reuniram com uma variedade de integrantes moldando o futuro do projeto. Eles conheceram desenvolvedores e corretores locais, aprendendo sobre melhorias na infraestrutura e atividades imobiliárias em andamento na região. A interação com uma família com longos laços na área, conhecida pelo seu trabalho de conservação costeira, foi particularmente inspiradora.
“As decisões de desenvolvimento não existem em isolamento”, acrescenta Tang após se aventurar em trilhas por manguezais com cientistas do Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, aprendendo sobre ecossistemas costeiros e as implicações ambientais de longo prazo do desenvolvimento.

Impacto Cultural e Pessoal
Fora do ambiente de trabalho, o Panamá deixou uma impressão duradoura. Navegar pelo Canal do Panamá, observar navios cargueiros em paisagens repletas de macacos e preguiças, e viver em Casco Viejo acrescentaram mais camadas à experiência de Tang. O próprio bairro serviu como um estudo de caso real em desenvolvimento que prioriza a comunidade.
“O que mais me marcou foi a abordagem da Conservatorio para revitalização, não através do deslocamento, mas através de um engajamento profundo, construção de confiança e criação de caminhos para que os residentes locais participem da transformação da área”, afirma.
Reflexões Finais
A experiência de um mês no Panamá deixou Tang com mais do que apenas habilidades técnicas — resultou em uma mudança de perspectiva. “Comecei a ver o desenvolvimento menos como uma fórmula e mais como um sistema que se encontra na intersecção de finanças, design, ambiente e comunidade”, conclui.
Sua lição é que valor pode ser criado de formas não convencionais, e a liderança no setor imobiliário é fundamentada na confiança, curiosidade e um profundo respeito pelo lugar.
Tang chegou ao Panamá para construir um modelo, mas saiu com uma compreensão mais profunda do que significa construir de forma consciente — não apenas como desenvolvedora, mas também como guardiã do lugar.