Chamber Pots of Ancient Rome: Unveiling the Oldest Cases of Cryptosporidium Infection
Excavations in Bulgaria reveal insights into health and disease during the Roman Empire.

Os Vestígios de Potinhos Romanos e a Infeção por Cryptosporidium
Urina e resíduos fecais incrustados no interior de antigos potinhos de cerâmica romanos, desenterrados na Bulgária, forneceram as evidências mais antigas conhecidas do mundo de humanos infectados com o parasita Cryptosporidium, que causa distúrbios gastrointestinais agudos.

No primeiro século, os romanos estabeleceram uma província chamada Moesia Inferior na Península Balcânica, que inclui o moderno país da Bulgária. As legiões romanas tinham a tarefa de defender a fronteira imperial contra os Godos, principalmente a partir de uma fortaleza chamada Novae (perto da atual Svishtov) e uma cidade conhecida como Marcianopolis (a moderna Devnya). Durante escavações em Novae e Marcianopolis, arqueólogos recuperaram quatro potinhos, cujos conteúdos longamente secos revelaram novas informações sobre saúde e doenças no Império Romano.
Análise e Descobertas Significativas
Em um estudo publicado em abril de 2023 na revista npj Heritage Science, pesquisadores detalharam a análise de depósitos mineralizados de urina e fezes que foram raspados das laterais e fundos dos potinhos de cerâmica.

Usando o teste ELISA (ensaio imunoenzimático), que pode detectar bactérias, parasitas e vírus em amostras de fluidos corporais, os pesquisadores identificaram três patógenos nas amostras dos potinhos: o protozoário Entamoeba histolytica, o parasita Cryptosporidium parvum e o tênia Taenia. Todos esses patógenos infectam o intestino humano e podem causar distúrbios gastrointestinais, incluindo diarreia e dor de estômago.
A Disseminação do Cryptosporidium na Antiguidade
A evidência da presença de Cryptosporidium foi encontrada em dois potinhos distintos de Novae, sugerindo que a infecção pode ter sido relativamente disseminada dentro daquela comunidade. C. parvum geralmente causa sintomas leves, levando os casos humanos a não serem identificados até 1976. Desde então, pesquisadores investigam a origem desse organismo que pode ter afetado a saúde dos romanos.

A presença de Cryptosporidium abre novas discussões sobre a saúde da população romana na época. Os pesquisadores sugerem que os romanos que viviam em Novae poderiam ter contraído o parasita ao beber água contaminada, o que resultava em diarreia severa, forçando-os a usar potinhos durante a noite, em vez das mais sanitárias latrinas públicas que estavam disponíveis durante o dia.
A Importância das Pesquisas em Materiais Antigos
A análise de fluidos corporais antigos é crucial para entender a saúde e as doenças no Império Romano. Os potinhos apresentaram uma riqueza de informações sobre esses tópicos, contribuindo para o conhecimento mais amplo das condições de vida na antiguidade.
O estudo salienta que esse tipo de pesquisa não apresenta riscos significativos à saúde dos arqueólogos, já que o material biológico analisado é extremamente antigo e tipicamente não é mais viável ou infeccioso.