União Europeia Avança em Legislação para Proteção de Crianças Online
Medidas visam limitar acesso de menores às redes sociais e regular negócios digitais.

Proposta de Regulação Digital em Debate
A União Europeia está ultimando uma nova legislação destinada a regular o modelo de negócios das plataformas digitais e a reforçar a segurança de crianças e adolescentes no ambiente online. A declaração foi feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma cúpula sobre inteligência artificial e crianças, realizada em Copenhague.
Além de estabelecer regras mais rígidas para as empresas de tecnologia, a UE planeja, nos próximos meses, introduzir uma proposta para restringir o acesso de menores às redes sociais. Um painel composto por especialistas em proteção infantil está previsto para entregar suas recomendações à Comissão até agosto deste ano.
“Precisamos considerar a introdução de uma idade mínima para o acesso às redes sociais,” destacou von der Leyen, sublinhando a importância de abordar o impacto negativo do uso excessivo das plataformas por crianças e adolescentes. Este grupo de especialistas foi criado após uma série de preocupações vinculadas a efeitos prejudiciais, como a privação de sono e a ansiedade, causados pelo uso das redes sociais.

Novas Idades de Acesso e Regras Estritas
Atualmente, a legislação europeia permite que cada país determine a idade mínima para o uso de plataformas digitais. Algumas nações, como Espanha, Dinamarca e França, estão discutindo a criação de uma nova “maioridade digital”. A proposta do governo francês visa estabelecer a idade mínima em 15 anos em toda a União Europeia.
A presidente da Comissão europeia não se esquivou de tocar nos riscos envolvidos, que vão desde comportamentos viciantes até a exploração sexual. “Os riscos estão se multiplicando rapidamente,” afirmou von der Leyen, ressaltando que muitos desses danos são o resultado de modelos de negócios que exploram a atenção das crianças como uma mercadoria.
Lei de Equidade Digital e Práticas Viciantes
A nova Lei de Equidade Digital (DFA, pela sigla em inglês) deverá focar em práticas que incentivam o uso prolongado das plataformas, como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e notificações constantes. Redes sociais como TikTok, Facebook e Instagram estão na linha de fogo.
“Estamos tomando medidas contra o TikTok e seu design vicioso, com ênfase na rolagem infinita e nas notificações push. O mesmo se aplica ao Meta, que controla Instagram e Facebook, pois acreditamos que não estão respeitando sua própria política de idade mínima de 13 anos,” completou von der Leyen.
Limites à Inteligência Artificial e Legislação Complementar
Além das regras para as redes sociais, a nova legislação também pretende impor limites mais rigorosos ao uso de inteligência artificial nessas plataformas. “A questão não é se os jovens devem ter acesso às mídias sociais, mas se as mídias sociais devem ter acesso aos jovens,” afirmou a presidente. A proposta complementará a já existente Lei de Serviços Digitais, que obriga as grandes empresas de tecnologia a combater conteúdos nocivos e ilegais.
Em uma ação paralela, a Comissão Europeia está processando o X e sua ferramenta de inteligência artificial, Grok, que pode ser utilizada para criar imagens sexualmente explícitas de mulheres e crianças. Esta medida destaca a necessidade de regulamentações mais severas no único espaço que poderia ser benéfico: o digital.
Esta mudança é crucial não apenas para a proteção das crianças, mas também para garantir um futuro mais seguro e saudável no ambiente online para as próximas gerações.