PORTALCTMC
Curiosidades|00:00

Físicos alcançam 'aleatoriedade perfeita' pela primeira vez na história

Uma nova pesquisa abre portas para a criptografia e sistemas de segurança.

Físicos alcançam 'aleatoriedade perfeita' pela primeira vez na história

Um Marco na Aleatoriedade Quântica

Pesquisadores do ETH Zurich anunciaram um feito extraordinário: a geração de "aleatoriedade perfeita" usando qubits entrelaçados, um estudo que pode revolucionar o campo da criptografia. A descoberta é marcada como a primeira realização certificada de aleatoriedade perfeita, superando as limitações dos geradores de números aleatórios convencionais.

A imagem representa números aleatórios em formato binário.

Desafios da Aleatoriedade

A criação de verdadeira aleatoriedade nunca foi uma tarefa fácil. Mesmo os geradores de números aleatórios mais sofisticados podem carregar viéses sutis. Embora esses vieses possam parecer inofensivos na maioria das aplicações do dia a dia, na criptografia, onde a segurança dos sistemas depende da imprevisibilidade, qualquer padrão, mesmo os mais sutis, pode se tornar uma fraqueza explorável.

A equipe liderada pelos físicos Renato Renner e Andreas Wallraff superou essas limitações ao utilizar a física quântica, apresentando uma abordagem inovadora que utiliza o entrelaçamento quântico para gerar números perfeitamente aleatórios.

Os pesquisadores desenvolveram um experimento utilizando dois chips supercondutores resfriados a temperaturas próximas do zero absoluto. Cada chip funcionou como um qubit, o equivalente quântico de um bit binário. Conectados por um tubo de 30 metros, os chips permitiram que fótons de micro-ondas transitassem entre eles, criando um estado quântico que preservava a integridade da aleatoriedade construída.

Representação do laboratório quântico onde foi realizado o experimento.

O Processo de Medição

Os pesquisadores asseguraram que os qubits estivessem distantes o suficiente para que sinais, mesmo na velocidade da luz, não pudessem influenciar o resultado durante a medição. Essa abordagem ajudou a manter a pureza do entrelaçamento quântico, evitando que comunicações indesejadas comprometesse a aleatoriedade gerada.

O experimento começou com um gerador de números aleatórios imperfeito, que ajudou a escolher a base de medição dos qubits. Após a medição quântica, um algoritmo especial foi empregado para amplificar a aleatoriedade. O sistema quântico, portanto, purificou a entrada de viés e produziu uma sequência de zeros e uns que é certifiavelmente aleatória, validando-se não apenas por suposições, mas também por testes estatísticos rigorosos.

Wallraff destacou que a metodologia reduz significativamente o custo computacional. “Nosso método não requer realmente um processamento, pois toda a aleatoriedade é gerada pela medição dos qubits. Nesse sentido, o custo computacional da nossa abordagem é insignificante em comparação com os geradores de números pseudo-aleatórios tradicionais”, explicou.

Pesquisadores do ETH Zurich em ação durante o experimento de aleatoriedade.

Implicações Futuras

As implicações práticas dessas descobertas são profundas, com potencial para transformar diversos campos. O time do ETH compara essa inovação com um relógio atômico para a medição do tempo: uma referência fisicamente confiável que outros sistemas podem utilizar. Aplicações futuras incluem criptografia de mensagens, identidades digitais, sistemas de loteria e operações em blockchain.

Renner concluiu que essa abordagem seria particularmente útil em arquiteturas de rede. “Nosso experimento seria mais valioso em redes onde cada nó tem acesso a um 'servidor' que implementa isso para produzir aleatoriedade”, afirmou.

Escrito por Equipe Portal CTMC