Terceira Via Acumula Derrotas e Ex-Presidenciáveis se Voltaram para Eleições Estaduais
Com a polarização política em alta, ex-candidatos à presidência buscam novas oportunidades nas disputas regionais em 2026.

Introdução à Crise da Terceira Via
A política brasileira tem sido marcada, desde a redemocratização em 1989, por uma forte polarização entre os dois principais partidos, PT e PSDB, e, mais recentemente, entre o PT e o bolsonarismo. Em meio a esse cenário, a possibilidade de uma 'terceira via' emergir como alternativa viável ao eleitorado se mostra cada vez mais remota. A história recente revela que nenhum candidato que terminou em terceiro lugar numa eleição presidencial conseguiu se eleger posteriormente.
O Cenário Atual para os Ex-Candidatos
Na eleição de 2026, cinco dos sete candidatos que ficaram em terceiro lugar nas últimas eleições presidenciais estão se preparando para disputar cargos em nível estadual:
- Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) - pré-candidatas ao Senado em São Paulo.
- Ciro Gomes (PSDB) - pré-candidato a governador no Ceará.
- Heloísa Helena (Rede) e Anthony Garotinho (Republicanos) - se lançam como deputados federais pelo Rio de Janeiro.
Essa mudança de foco representa uma tentativa clara de se ajustar às novas dinâmicas eleitorais, onde as oportunidades em palanques estaduais parecem ser a saída mais promissora para esses políticos. Historicamente, figuras como Leonel Brizola (PDT), que se tornou governador do Rio de Janeiro após a eleição presidencial de 1989, e Enéas Carneiro (Prona), que após ser deputado federal mais votado em 2002, são exemplos de como a busca por carreiras estaduais pode ser mais frutífera.
Polarização e seu Impacto nas Candidaturas
A cientista política Luciana Santana, professora da UFAL, destaca que a aceitação da polarização por muitos políticos se reflete nas tendências do eleitorado. "Por mais que o Brasil possua um sistema multipartidário, o comportamento do eleitor tende à polarização, levando muitos a optar pelo voto útil nas fases finais das campanhas eleitorais", analisa.
Segundo Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, a ideia de uma candidatura de terceira via é mais um desejo social do que uma realidade eleitoral. "É como se existisse o mercado, mas não o produto adequado para atender a demanda", afirma.
O Cenário de 2026 para a Polarização
As pesquisas de intenção de voto para 2026 mostram um novo desenho de polarização entre Lula (PT) e a família Bolsonaro, com Flávio Bolsonaro (PL) emergindo como um forte concorrente. De acordo com a última pesquisa da Datafolha, Lula apresenta 39% de intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro segue de perto com 35%. Os outros candidatos que buscam se consolidar como terceira via estão bem atrás, com resultados modestos: Ronaldo Caiado (PSD) com 5%, Romeu Zema (Novo) com 4%, e outros com 2% ou menos.
Tentativas de Inovação nas Disputas Estaduais
A articulação para formar uma terceira via incluiu tentativas de Gilberto Kassab, presidente do PSD, que sugeriu nomes como os governadores Ratinho Junior do PR e Eduardo Leite do RS. No entanto, nenhuma dessas candidaturas se destacou significativamente até agora. Recentemente, houve convites para que Ciro Gomes reconsiderasse sua candidatura presidencial e voltasse a se concentrar na disputa pelo Governo do Ceará, além da introdução do psiquiatra Augusto Cury como um novo nome pelo Avante.
O Destino de Simone Tebet e Marina Silva
Simone Tebet foi uma das principais figuras da terceira via em 2022, quando se apresentou como alternativa ao cenário polarizado entre Lula e Jair Bolsonaro. Após uma terceira colocação, ela optou por apoiar Lula no segundo turno, sendo subsequentemente nomeada Ministra do Planejamento. Em 2026, ela se filiou ao PSB e agora busca o Senado em uma chapa com Lula.
Marina Silva, com uma forte trajetória em pautas ambientalistas, também tenta novamente um lugar no cenário político, após ter sido terceira colocada em 2010 e 2014. Em 2022, ela se juntou a Lula e foi eleita deputada federal, voltando ao governo como ministra do Meio Ambiente.
Conclusão
Diante das dificuldades enfrentadas pela terceira via e a polarização cada vez mais incisiva na política brasileira, observa-se que muitos ex-presidenciáveis estão buscando a reconfiguração de suas carreiras em nível estadual. As disputas de 2026 prometem ser fundamentais para definir o futuro político desses, que lutam para encontrar suas vozes em um clima de crescente divisão.