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Explorando o Impossível: Como Arqueólogos Estudam Ambientes Extremos da Terra e do Espaço

A aplicação de técnicas arqueológicas nas inóspitas altitudes do Everest e na Estação Espacial Internacional revela a adaptação humana em ambientes extremos.

Explorando o Impossível: Como Arqueólogos Estudam Ambientes Extremos da Terra e do Espaço

A Nova Fronteira da Arqueologia

Tradicionalmente, os arqueólogos se dedicam a estudar o que sociedades passadas deixaram para trás, reconstruindo a imagem de culturas que já não existem. Contudo, uma nova abordagem tem emergido, onde os pesquisadores ampliam seu olhar para lugares remotos e extremos, tanto na Terra quanto no espaço.

Justin Walsh, um arqueólogo da Chapman University, tem liderado o campo da "arqueologia espacial". Desde a fundação do ISS Archaeological Project, em 2015, ele se dedicou a entender como os astronautas experienciam a vida na Estação Espacial Internacional (ISS).

Trabalhando em conjunto com Shawn Graham da Carleton University, eles estão prestes a lançar um novo projeto chamado Archaeology Impossible, que examina os vestígios deixados pela presença humana no Monte Everest, um dos ambientes mais inóspitos da Terra.

A Conquista de Ambientes Extremos

Em uma conversa com Kristina Killgrove, Walsh reflete sobre a transição de sua carreira: "Vim do campo da arqueologia grega, mas um aluno me questionou sobre a herança no espaço, e isso me fez perceber que, sim, existe cultura humana além da Terra." Essa curiosidade desencadeou um projeto que une a arqueologia e a exploração espacial.

Graham complementa, "A arquitetura interna da ISS é altamente regulada, mas a realidade das vivências humanas se manifesta de maneiras inesperadas. Ao estudá-las, podemos entender padrões de comportamento que frequentemente não se alinham com as expectativas."

Walsh e Graham utilizam ferramentas tradicionais de arqueologia, mas também desenvolvem métodos inovadores. "Ainda não conseguimos ir ao espaço para coletar dados diretamente, mas temos acesso a um vasto acervo de fotografias digitais da NASA", explica Walsh.

A Cultura na ISS e no Everest

O estudo das fotografias disponibilizadas pela NASA revela dados fascinantes. Até 2020, cerca de 250 astronautas tinham passado pela ISS. Usando a análise de imagens, Walsh e Graham mapearam a distribuição de gênero e nacionalidade entre os astronautas, revelando que a maioria dos ocupantes eram homens (84%) e apenas 16% eram mulheres.

A intrigante discriminação de gênero foi evidente, com as mulheres sendo sub-representadas em áreas de trabalho, comida e descanso. No entanto, observa-se que elas eram mais frequentemente capturadas na famosa cúpula da estação, que oferece uma vista panorâmica da Terra. Este fenômeno sugere que a seleção de imagens por parte da NASA pode estar influenciada por preconceitos inconscientes.

Em uma abordagem similar, no Everest, a análise do lixo deixado para trás expõe não apenas o impacto ambiental, mas também as complexidades das interações humanas em limites extremos.

O Futuro da Arqueologia e a Adaptação Humana

À medida que a tecnologia avança e os humanos continuam a buscar novos limites, o trabalho de Walsh e Graham pode se tornar mais relevante. Ao traduzir as experiências humanas em ambientes extremos em dados concretos, eles contribuem não apenas para a arqueologia, mas também para a história da exploração humana.

Através dessas investigações, o campo da arqueologia se expande para incluir a adaptação e resiliência humanas, fornecendo uma nova perspectiva sobre como sobrevivemos em lugares onde, por muitos, a presença humana é imprevisível e, às vezes, indesejável.

Escrito por Equipe Portal CTMC