Revolução na Sustentabilidade: Sistema de Resfriamento Inspirado em Nuclear Promete Transformar Data Centers
Ferveret traz inovação tecnológica para um dos maiores vilões do consumo energético, almejando tornar a computação mais verde e eficiente.

Inovando o Resfriamento de Data Centers
A ascensão da inteligência artificial é sustentada por uma enorme expansão dos data centers, que devem consumir entre 9 a 17 por cento de toda a eletricidade nos EUA até o final da década. Atualmente, cerca de um terço da eletricidade utilizada em data centers é direcionada ao resfriamento dos chips que executam modelos de IA.
Visando tornar esse processo mais eficiente, a startup Ferveret, criada por Reza Azizian, um ex-pós-doutorado em engenharia nuclear do MIT, e Matteo Bucci, professor associado na mesma instituição, desenvolveu um sistema de resfriamento que adapta uma abordagem utilizada em reatores nucleares, funcionando sem água e utilizando significativamente menos eletricidade.

Testes e Resultados Promissores
A Ferveret já está testando suas soluções com empresas como CleanSpark, desenvolvedora e operadora de data centers, bem como com FuriosaAI, uma empresa de aceleração de IA, e Switch, um dos maiores operadores de data centers dos EUA.
Em um estudo recente feito em colaboração com o Departamento de Ciência da Computação Samueli da Universidade da Califórnia em Los Angeles, a Ferveret descobriu que sua solução APC levou a uma melhoria de 15 por cento na eficiência do poder computacional, comparada a soluções de resfriamento líquido de última geração. A empresa afirma que, combinando essas economias com seu sistema de controle de energia, é possível otimizar as condições operacionais e permitir que data centers obtenham 35% mais tokens - pequenos pedaços de texto ou dados - com a mesma quantidade de energia.
Desdobramentos e Inovações Futuras
“Nosso objetivo é tornar os data centers o mais sustentáveis possível e ajudar a usar cada watt de energia para gerar tokens, que são os resultados mais valiosos”, explica Azizian. “Nosso sistema possibilita a operação de chips mais potentes, ajuda os data centers a desperdiçar muito menos energia, e realiza tudo isso sem consumir água.”

Após a fundação da empresa em 2021, muitos avanços ocorreram desde que Azizian conheceu o ambiente de data centers, que são frequentemente dominados por enormes e barulhentos ventiladores. “Eu pensei: ‘Caramba, essa não é a forma como devemos resfriar instalações’”, recorda. A resfriamento com ar ainda pode consumir 40% da energia de um data center. “Não era uma forma eficiente de operar, mas como não prejudicava o desempenho, ninguém se preocupava que essa tecnologia de resfriamento estivesse 50 anos defasada.”
Um Olhar para o Futuro
O desenvolvimento de chips com componentes cada vez mais compactados, impulsionado pela explosão da inteligência artificial, exigiu que os operadores de data centers adotassem métodos de resfriamento líquido, entre eles a técnica conhecida como resfriamento por imersão. Entretanto, o resfriamento por imersão tradicional vem com desafios de complexidade, como a necessidade de capturar e reliquefazer bolhas enquanto controla pressão, temperatura e inventário de fluidos.
O sistema da Ferveret é uma adaptação de um processo em reatores nucleares chamado fervura subresfriada. O líquido utilizado não contém os tóxicos "PFAS" e produz bolhas pequenas, que se desprendem rapidamente, acelerando o ciclo de re-condensação e aumentando a taxa de transferência de calor.

“A física nos permite alcançar formatos que não eram possíveis no passado,” conclui Azizian. A Ferveret está inovando na forma como pensamos sobre resfriamento em ambientes de alta demanda de energia, propondo um futuro onde a sustentabilidade e a eficiência se tornam prioridade máxima na era da tecnologia.