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O Deserto de Atacama: O Mistério de sua Formação Antecede a Era dos Andes

Nova pesquisa revela que o núcleo hiperárido do Deserto de Atacama se formou 20 milhões de anos antes do que se pensava anteriormente.

O Deserto de Atacama: O Mistério de sua Formação Antecede a Era dos Andes

O Enigma do Atacama

O Deserto de Atacama, localizado no norte do Chile, é um dos lugares mais secos da Terra, com menos de 5 milímetros de chuva por ano. Estudos recentes sugerem que seu núcleo hiperárido começou a se formar há mais de 40 milhões de anos, muito antes da formação das majestosas Montanhas Andes, uma descoberta que desafia a compreensão científica anterior sobre a evolução do deserto.

O Que Mudou?

Antes deste estudo, acreditava-se que o núcleo do Deserto de Atacama se formou entre 15 e 20 milhões de anos atrás, durante a época em que as Montanhas Andes começaram a aparecer e as correntes oceânicas frias estavam se estabelecendo ao longo da costa chilena. No entanto, a nova pesquisa, publicada na revista Nature Communications, sugere que condições ultrassecas estavam presentes muito antes disso, levando a repensar a linha do tempo da formação da terra.

Investigando as Antigas Condições Hiperáridas

O coautor do estudo, Benedikt Ritter-Prinz, um geólogo da Universidade de Colônia, afirma que os resultados indicam que o núcleo hiperárido do Deserto de Atacama foi estabelecido no período Eoceno, mais especificamente entre 47,8 e 33,9 milhões de anos atrás, o que faz do Atacama o região continuamente seca mais antiga da Terra.

Se a formação do deserto antecede a elevação dos Andes, isso levanta questões sobre como e quando tais ambientes extremos se desenvolvem. A pesquisa coletou amostras de seixos de quartzo, que resistem à erosão, em várias locais do deserto, estabelecendo um vínculo direto entre a presença dos seixos e as condições de aridez duradouras.

Metodologia e Descobertas

A coleta dessas amostras requereu expedições off-road no coração do deserto. Ritter-Prinz explicou as dificuldades de acesso às amostras devido ao acúmulo de poeira de gipsita, que pode afundar veículos com facilidade.

Mediciones de isótopos raros de elementos como neônio e berílio nas amostras indicaram que as rochas permaneceram expostas à superfície da Terra por períodos mais longos do que o esperado. Cerca de 24% das amostras apresentaram níveis elevados de nuclídeos cosmogênicos, sugerindo que as condições hiperáridas podem estar presentes desde o final do Eoceno, ou seja, há mais de 40 milhões de anos.

Implicações Para o Futuro

Compreender quando e como o Deserto de Atacama se formou pode explicar a história da vida vegetal e animal na região. Mudanças para condições hiperáridas podem ter impactado rotas migratórias, levando à formação de novas espécies em grupos isolados.

A pesquisa futura, alimentada por modelos climáticos, pode esclarecer ainda mais como as mudanças climáticas históricas influenciaram a evolução de ecossistemas complexos.

O estudo do Deserto de Atacama não apenas fomenta a curiosidade científica, mas também pode ajudar a entender as respostas da vida em face de mudanças climáticas extremas, que se mostram cada vez mais relevantes no mundo contemporâneo.

Escrito por Equipe Portal CTMC