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Descoberta do Naufrágio do "Hellship" Japonês da Segunda Guerra Mundial nas Filipinas

Relíquias do Hōfuku Maru revelam histórias sombrias do passado

Descoberta do Naufrágio do "Hellship" Japonês da Segunda Guerra Mundial nas Filipinas

O Naufrágio do Hōfuku Maru

Recentemente, foi descoberto nas águas do litoral da ilha de Luzon, nas Filipinas, o naufrágio do Hōfuku Maru, um dos infames "hellships" japoneses que foram afundados durante a Segunda Guerra Mundial. Este barco de transporte de prisioneiros foi torpedeado em 1944, levando consigo mais de 1.000 prisioneiros de guerra (POWs) aliados para o fundo do mar.

O Hōfuku Maru foi convertido de um cargueiro normal em um transporte de prisioneiros pela Marinha Japonesa, utilizando essas embarcações para mover POWs entre campos de trabalho forçado. Durante sua última missão, o navio transportava soldados britânicos e holandeses, muitos dos quais foram forçados a trabalhar na dolorosa construção da linha férrea conhecida como "Death Railway".

Josh Gates, o líder da expedição e apresentador de televisão americano, trabalhou com a Hellships Memorial Foundation para localizar os restos do Hōfuku Maru, cuja localização havia sido mal interpretada devido a registros históricos imprecisos. A fundação formulou um novo plano, utilizando registros japoneses mais precisos, e, em janeiro, a equipe finalmente descobriu o naufrágio a cerca de 50 metros de profundidade, a poucos quilômetros da costa de Luzon.

Uma Tragédia Submersa

O Hōfuku Maru foi parte de um comboio militar japonês que fazia a rota das Filipinas para o Japão quando foi atacado por aviões de guerra dos EUA em 21 de setembro de 1944. Um torpedo despedaçou o navio, que rapidamente foi para o fundo do mar. Dos aproximadamente 1.200 POWs a bordo, cerca de 1.040 perderam a vida no naufrágio.

Muitos prisioneiros conseguiram nadar até a costa, mas foram recapturados pelos japoneses. As condições a bordo dos hellships, como o Hōfuku Maru, eram desumanas, com escassez de luz, ar e alimento. Os prisioneiros eram frequentemente mantidos nas embarcações por meses.

Condições Desumanas e Consequências

A Convenção de Genebra de 1929 impôs restrições rigorosas ao uso de prisioneiros de guerra para trabalho forçado. No entanto, o Japão era conhecido por ignorar essas regras, utilizando os POWs como mão de obra escrava em ferrovias, docas, fábricas e minas. Dos cerca de 132.100 prisioneiros capturados das forças armadas britânicas e americanas, quase um terço, aproximadamente 35.000 pessoas, sucumbiu a exaustão, desnutrição e doenças.

Nosso conhecimento sobre a tragédia desse naufrágio foi ampliado por mapeamento subaquático com drones, que identificaram três seções distintas do naufrágio. A equipe utilizou sonares para localizar a embarcação e, posteriormente, submergiu para examinar as estruturas do navio. 

Os restos do Hōfuku Maru foram confirmados por partes da estrutura que coincidem com os relatos da época sobre o naufrágio. Como resultado deste trabalho, a fundação agora pretende localizar as famílias dos vítimas, respeitando a memória e a história daqueles que sofreram traumas inimagináveis durante a guerra.

A nova descoberta agora será considerada um cemitério de guerra, e convenções internacionais visam preservar tais naufrágios, evitando sua perturbação e honrando os que ali repousam.

Escrito por Equipe Portal CTMC