Rio Grande do Sul Acelera Obras de Proteção contra Enchentes diante de Retorno do El Niño
Estado busca mitigar impactos e prevenir novos desastres em meio a previsões climáticas complexas.

Rio Grande do Sul diante de novos desafios climáticos
Com a aproximação do segundo aniversário das enchentes históricas que devastaram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, a previsão de retorno do fenômeno climático El Niño no segundo semestre de 2026 reacende o sinal de alerta em todo o estado. Este fenômeno, causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, potencializa o aumento das chuvas na região Sul, trazendo à tona a preocupação dos gestores e das autoridades locais sobre o andamento das obras de infraestrutura necessárias para evitar futuras tragédias.
Ações emergenciais em Porto Alegre
No dia 23 de abril de 2026, a Prefeitura de Porto Alegre anunciou o início imediato de uma série de obras de proteção contra cheias na zona norte da cidade. O investimento de R$ 30 milhões visa mitigar os impactos durante as chuvas intensas, especialmente na região do Aeroporto Internacional Salgado Filho, que sofreu severos danos durante as inundações de 2024, ficando quase seis meses sem receber voos.
As medidas incluem o fechamento de galerias que canalizam água da chuva da bacia do Arroio Areia para o Rio Gravataí, além da construção de um dique de cem metros de extensão próximo ao Arroio Passo das Pedras. Esse dique terá a função de reter parte do volume de água em áreas alagáveis, sendo posteriormente drenado por bombas flutuantes. A conclusão das obras está prevista para o segundo semestre de 2026.
Contexto e previsões do El Niño
Em uma coletiva de imprensa realizada no dia 24 de abril de 2026, o governador Eduardo Leite (PSD) apresentou as ações implementadas desde as enchentes de 2024 e comentou sobre a possibilidade do retorno do El Niño. O governador enfatizou que, embora a ocorrência do fenômeno não garanta inundações semelhantes às de anos anteriores, ela traz um conjunto de fatores que podem intensificar eventos climáticos extremos.
“Outros fatores muito importantes, como frentes estacionárias e bloqueios atmosféricos, foram decisivos para as enchentes que enfrentamos. No entanto, o fenômeno indica que eventos climáticos extremos podem, sim, afetar nosso estado”, afirmou Leite.
Investimentos e ações do plano de desassoreamento
Os recursos destinados para as obras estão sendo retirados do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), que combina recursos do Tesouro do Estado, repasses da União, contribuições públicas e privadas. Até o momento, o fundo já soma R$ 13,9 bilhões entre valores pagos, empenhados e aprovados para diversas obras. Cerca de R$ 300 milhões estão sendo direcionados para o programa Desassorear RS, uma iniciativa que visa o desassoreamento de corpos d'água, canais de drenagem e sistemas pluviais em 221 municípios afetados pelas enchentes.
Desde o início do programa, em fevereiro de 2025, foram removidos aproximadamente 4,1 milhões de metros cúbicos de sedimentos. As ações já foram completadas em 155 dos 221 municípios, com 84% dos trabalhos na área do rio Taquari-Antas também concluídos.
Monitoramento e ações preventivas
Para garantir uma resposta mais eficaz a possíveis inundações futuras, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sadur) completou a batimetria nos rios Gravataí, Sinos, Caí, Baixo Jacuí, o lago Guaíba e seu principal formador, o delta do Jacuí. O próximo passo contempla a realização da batimetria nos rios e lagoas do litoral norte, visando mapear áreas de maior risco e facilitar intervenções rápidas em caso de emergência.
Com o aumento da conscientização sobre os riscos climáticos, Fernando Dornelles, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, afirma que o estado está menos vulnerável a perdas econômicas e de vidas humanas em eventos climáticos extremos. A retirada de moradores de áreas de risco, como trechos do rio Taquari e ilhas do lago Guaíba, é um passo significativo nesta jornada de recuperação e prevenção.
Conclusão
A preparação do Rio Grande do Sul para o retorno do El Niño e a implementação de obras de infraestrutura buscam não apenas proteger a população, mas também garantir que a história de devastação não se repita. O estado caminha para um futuro onde a resiliência contra desastres naturais se torna parte integral de sua gestão, evidenciando a importância da união entre recursos, planejamento e ações preventivas.