Uso de IA no trabalho cresce, e medo de substituição diminui entre brasileiros
Pesquisa Datafolha revela que familiaridade com a tecnologia está mudando a percepção do mercado de trabalho

Um Novo Cenário para a Inteligência Artificial
À medida que os brasileiros se familiarizam com chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT e Claude, o medo de que as máquinas substituam seus empregos caiu significativamente. Segundo uma pesquisa recente do Datafolha, realizada em junho de 2026, a porcentagem de pessoas que tem medo de substituição profissional pela IA passou de 56% para 48% em um ano.
Essa mudança na percepção do brasileiro reflete uma crescente aceitação da inteligência artificial como uma ferramenta que pode potencialmente facilitar e melhorar atividades de trabalho, ao invés de ser vista como um substituto ameaçador. Isso fica evidente no aumento da aceitação da tecnologia: a parcela de entrevistados que utilizaram IA para trabalho aumentou de 17% para 24% no mesmo período. 
O Impacto na Economia e no Emprego
A pesquisa do Datafolha envolveu 2.004 entrevistas presenciais em 139 municípios, representando brasileiros com 16 anos ou mais de diversas regiões do país. A margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais, o que confere alguma robustez aos dados coletados.
Enquanto o medo de substituição diminui entre os trabalhadores, a percepção dos empresários parece divergir. Dario Amodei, CEO da Anthropic, expressou suas preocupações sobre o risco de desemprego em massa devido ao avanço da IA, sugerindo políticas que incentivem contratações. Contudo, muitos economistas acreditam que essa visão é um reflexo de um catastrofismo inicial, uma vez que o mercado ainda apresenta oportunidades.

O economista Daniel Duque, do FGV Ibre, argumenta que as pessoas estão percebendo que o mercado de trabalho não está tão ameaçado quanto se acreditava anteriormente. Embora a IA possa substituir algumas funções específicas, ela também pode impulsionar a criação de novos empregos através da diminuição de custos e aumento da eficiência. Essa dinâmica sugere que a economia pode evoluir de formas que ainda são imprevisíveis.
Desafios e Oportunidades
Um estudo do FGV Ibre destacou que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estão em ocupações que apresentam algum grau de exposição à IA. Isso representa 29,6% da população ocupada. Dentre esses trabalhadores, aproximadamente 5,2 milhões estão no nível mais alto de exposição, com maior concentração entre os jovens e com maior escolaridade, principalmente na região Sudeste.
Todavia, o economista Tomás Aguirre aponta que muitos profissionais expostos à IA têm maiores chances de adaptação devido à sua formação e capacidade de acumular modestas economias durante a transição. Ao mesmo tempo, profissões técnicas, como engenharia e advocacia, são altamente expostas, mas seus profissionais possuem maior potencial de requalificação.
No entanto, Aguirre expressa preocupações específicas para o Brasil, onde a taxa de trabalhadores expostos à substituição é alarmantemente alta e as redes de proteção social, como o Bolsa Família, não alcançam adequadamente a classe média. Isso levanta questões sobre como a sociedade lidará com as repercussões da adoção crescente da IA.
O Caminho a Seguir
É claro que a Inteligência Artificial está aqui para ficar, desafiando a força de trabalho de formas sem precedentes. O futuro dependerá da capacidade de adaptação dos trabalhadores e das políticas que serão implementadas para mitigar os impactos negativos. Embora a revolução tecnológica traga seus perdedores a curto prazo, há também oportunidades para aqueles que se adaptarem rapidamente.