Reduzir emissões de metano na pecuária exige produtividade e bem-estar animal, diz estudo
Estudo da CPI/PUC-Rio aponta que práticas sustentáveis podem reduzir impacto ambiental da agropecuária.

Uma Nova Direção para a Pecuária Brasileira
Produtividade, eficiência e bem-estar animal estão se tornando as palavras-chave para a agropecuária brasileira enfrentar o desafio das emissões de metano (CH4), um dos gases de efeito estufa mais potentes. Em estudo recente divulgado pela Iniciativa de Política Climática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio), forma-se um quadro otimista sobre como o setor pode contribuir para a mitigação das mudanças climáticas.
Emissões de Metano e seu Impacto Ambiental
Em 2024, a digestão do gado foi responsável por 75% das emissões brasileiras de metano, totalizando 15,7 milhões de toneladas provenientes da fermentação entérica, o famoso arroto do gado. O estudo ressalta que a pecuária não deve ser vista apenas como parte do problema, mas como um ativo essencial na busca de soluções.

Os cientistas destacam a urgência de reduzir o metano, que, em média, aquece o planeta tanto quanto 30 moléculas de CO2. Além disso, enquanto o metano permanece na atmosfera por cerca de dez anos, o CO2 pode durar até um século, indicando uma oportunidade significativa para um impacto mais imediato.
Juliano Assunção, diretor-executivo da CPI/PUC-Rio, argumenta que um aumento na produtividade agrícola pode acontecer sem que a questão climática necessariamente predomine a discussão. "A produtividade é a chave; à medida que aumentamos a eficiência, a redução de emissões ocorre como um efeito colateral positivo", afirma Assunção.

A Evolução na Prática Agropecuária
Ainda que as emissões de metano estejam inevitavelmente ligadas ao processo digestivo do gado, existem medidas que podem ser adotadas para otimizar os resultados econômicos e ambientais. O estudo sugere a necessidade de incentivar práticas sustentáveis e produtividade na agropecuária, sem necessariamente expandir as fronteiras agrícolas. Uma série de intervenções pode incluir:
- Melhoria da qualidade do pasto para reduzir em até 25% as emissões de metano.
- Ajustes de acidez e nutrientes do solo para aumentar a produtividade.
- Utilização de digestato de biodigestores como substituto de fertilizantes minerais.
A recuperação de pastagens degradadas também promete um impacto significativo, podendo levar à redução em até 46% da emissão de metano por quilo de carne, enquanto a integração de lavouras e pastagens pode contribuir para a saúde do solo e o sequestro de carbono.

Desafios e Oportunidades
Apesar das soluções apresentadas, a falta de conhecimento entre os fazendeiros em relação às novas tecnologias continua a ser um desafio. O estudo conclui que não é necessário criar novos programas, mas sim tornar os existentes mais eficazes, especialmente no que se refere ao crédito rural, que poderia ser associado a requisitos para redução de metano.
Em suma, a agropecuária brasileira tem um papel fundamental não apenas em sua contribuição às mudanças climáticas, mas também na construção de um futuro mais sustentável, onde se pode produzir carne com menor impacto ambiental e maior eficiência econômica.