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Alinhamento de Prédios Torto em Santos Pode Custar até R$ 22 Milhões

A crise estrutural nas edificações de Santos, SP, traz desafios financeiros e técnicos para a Acopi e seus associados.

Alinhamento de Prédios Torto em Santos Pode Custar até R$ 22 Milhões

Uma Questão de Estrutura e Patrimônio

Realinhar prédios tortos na cidade de Santos, localizada no litoral de São Paulo, apresenta um custo estimado que varia entre R$ 7 milhões e R$ 22 milhões por edifício. Essa avaliação é proveniente da Acopi (Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados), que representa os interesses dos moradores afetados.

Histórico e Causas

O problema da inclinação dos edifícios em Santos remonta à década de 1950, marcando o período de expansão imobiliária da cidade. A origem dessa situação se deve a um solo arenoso combinado com fundações inadequadas para sustentar o peso das construções. Atualmente, 319 edifícios na cidade estão reportados como inclinados; dentre eles, 65 apresentam inclinação acentuada de até 2,2 graus, todos localizados na orla da praia.

A Acopi e o Apoio da Prefeitura

A Acopi foi fundada em 2024 e tem se mobilizado com o apoio da prefeitura de Santos para encontrar soluções sustentáveis, incluindo o financiamento a longo prazo para os reparos, preferencialmente pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). De acordo com a presidente da Acopi, Eliana de Mello, embora existam soluções em engenharia, é a engenharia financeira que se revelou desafiadora. "Apesar de os prédios inclinados serem quase um cartão postal, temos a necessidade de agir", comenta.

Desafios do Cotidiano dos Moradores

Os imóveis monitorados pela prefeitura por meio do Pisa (Programa de Prédios Inclinados de Santos) não apresentam riscos imediatos, asseguram as inspeções regulares. No entanto, a vida cotidiana dos moradores é impactada com desafios como o alto custo de manutenção de elevadores. Eliana menciona que no Condomínio Conjunto Tertúlia, onde reside, a manutenção dos seis elevadores chega a R$ 12 mil mensais, o que representa um peso significativo sobre o valor do condomínio, que chega a R$ 2.000 por mês.

Impactos Estruturais e Econômicos

Problemas rotineiros, como a abertura espontânea de gavetas e dificuldades para drenar água de ralos, também são comuns. Reuniões com os moradores acontecem desde 2024 e uma próxima está agendada para 11 de junho na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, a fim de discutir novas estratégias e soluções.

Experiências Prévias e Técnicas de Reaprumo

O engenheiro Paulo Pimenta, que colabora com a Acopi, cita o exemplo do Condomínio Núncio Malzoni, que foi o primeiro a ser corrigido, de 2001 a 2011, a um custo de R$ 1,5 milhão. A técnica utilizada envolveu a instalação de estacas de concreto externas com uma profundidade de 56 metros, refletindo a complexidade de cada caso. Os custos e soluções variam conforme as características de cada edifício.

Considerações Finais e Futuras

O diretor de relações institucionais da Acopi, Fernando Borelli, observa que, embora demolir e construir novos edifícios possa ser uma solução, isso exigiria a unanimidade dos condôminos, o que é raramente alcançado por conta de questões pessoais e documentais. O BNDES, em nota, reiterou a necessidade de um projeto formal que contemple todos os aspectos técnicos e jurídicos para o financiamento das obras.

Em declaração, o prefeito Rogério Santos menciona que a administração permanece aberta ao diálogo e considera que a solução desse problema histórico poderá não apenas melhorar a segurança e a qualidade de vida dos moradores, mas também valorizar a cidade como um todo.

Além dos esforços para corrigir a inclinação dos prédios, o BNDES já sinalizou financiamento de R$ 200 milhões para Santos investir em adaptações que combatam mudanças climáticas, visando a proteção da orla e a mitigação de alagamentos, um desafio monumental para a região.