Decida, ou a lei decidirá por você
A importância do planejamento sucessório na proteção do patrimônio familiar

A Influência da Negação da Morte no Comportamento Humano
Em seu livro A Negação da Morte, o antropólogo e escritor Ernest Becker argumenta que muitos comportamentos humanos são moldados pela tentativa de evitar a própria mortalidade. Esse desconforto em lidar com a morte pode levar à procrastinação em várias áreas da vida, incluindo o planejamento do futuro financeiro e patrimonial.
Exemplo Real: O Caso de Suzane von Richthofen
Recentemente, o falecimento de Miguel Abdalla Netto, tio de Suzane von Richthofen, trouxe à tona uma discussão crucial sobre planejamentos sucessórios. Depois de uma longa batalha judicial em que Miguel participou para impedir que Suzane herdasse o patrimônio de seus pais, ele deixou uma herança estimada em R$ 5 milhões sem qualquer testamento. A ausência de um planejamento fez com que a legislação, e não sua vontade, decidisse quem herdar o seu patrimônio.

A Ironia do Destino
A situação é irônica: Miguel, um homem que se opôs ao legado de sua sobrinha, acabou permitindo que a lei decidisse sobre a sua própria sucessão. A indignidade reconhecida em relação aos bens de seus pais não se estendeu automaticamente aos bens do tio. Isso revela uma verdade importante: deixar de planejar não é o mesmo que não decidir, mas sim escolher que a lei decida por você.
A Importância do Planejamento Sucessório
Você já parou para pensar se, se falecesse hoje, o seu patrimônio seria herdado exatamente pelas pessoas que você deseja? O planejamento sucessório é vital, não apenas para aqueles que possuem grandes fortunas, mas também para quem tem pessoas que dependem de sua renda.
Patrimônio não é apenas o que você acumula, mas também a segurança que você pode proporcionar à sua família após a sua partida. Sem um planejamento adequado, uma perda pode ser acompanhada de dificuldade financeira e conflitos familiares que poderiam ser evitados.

Estratégias de Planejamento Sucessório
Para evitar que a legislação decida sobre seu patrimônio, é fundamental elaborar um planejamento sucessório. Dependendo da situação financeira e familiar, diferentes estratégias podem ser adotadas:
- Testamento: Um documento que expressa suas últimas vontades.
- Seguros de Vida: Garantindo liquidez e segurança financeira para seus dependentes.
- Holding Patrimonial: Estrutura que facilita a gestão e sucessão do patrimônio.
O instrumento mais adequado varia de acordo com a composição do patrimônio e a realidade de cada família. O importante é não deixar que a legislação decida pelas suas prioridades e valores.
Conclusão: A Decisão é Sua
Adiar o planejamento sucessório pode custar muito mais do que a simples criação de um documento. Como disse Becker, ignorar a morte não impede sua ocorrência. A única diferença é quem terá o controle sobre o destino do que você construiu. Enquanto há tempo, essa decisão ainda pode ser sua.
**Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor.**