A Revolução da Montagem de Veículos: CKD e SKD em Alta no Brasil
Tradicionais montadoras adotam novas estratégias para enfrentar desafios do setor automotivo

O Cenário Atual das Montadoras no Brasil
Nos últimos anos, o Brasil tem se mostrado um campo fértil para a implementação de regimes de montagem de veículos, como os métodos CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down). Essas práticas não são mais exclusivas das novas montadoras chinesas que, ao entrar no mercado, trouxeram uma nova perspectiva de competitividade, mas agora também estão atraindo a atenção das montadoras tradicionais.
Novas Investidas das Gigantes Automotivas
Empresas como Renault, Stellantis e General Motors já estão se aventurando nessa nova abordagem, investindo na montagem de kits de veículos de marcas como Geely, Leapmotor e Wuling, que agora serão produzidos localmente sob a marca Chevrolet. Essa prática reflete uma resposta às crescentes pressões de competitividade e altas taxas de tributação que o setor enfrenta.

Vantagens e Desafios do Modelo CKD/SKD
Segundo Rogelio Golfarb, ex-vice-presidente da Ford na América do Sul e fundador da consultoria Zag Work, a viabilidade dessas montagens surge principalmente na faixa de preço entre R$ 150 mil a R$ 300 mil, onde a margem de lucro apresenta maior rentabilidade. No entanto, essa mudança não é isenta de desafios, especialmente considerando as queixas da Anfavea, que acredita que a indústria nacional pode ser ameaçada pela importação de veículos já montados, resultando em cortes de investimento e aumento da carga tributária.
As Implicações da Reforma Tributária
A inclusão dos automóveis no novo Imposto Seletivo, que substituirá o IPI a partir de 1º de janeiro de 2027, promete ser um divisor de águas para a indústria automobilística brasileira. A expectativa é que a reforma tributária tenha um impacto maior do que qualquer regime de cotas, levando à reavaliação de estratégias por parte das montadoras. Atualmente, a isenção do Imposto de Importação sobre kits de peças para veículos eletrificados está em vigor, mas essa é uma solução de curto prazo, conforme afirmado por Golfarb.
A Inovação e o Futuro da Indústria Automotiva
O Brasil possui uma riqueza mineral significativa e poderia se beneficiar de uma política estruturada para desenvolver uma indústria mais inovadora. Enquanto a maioria das tecnologias de veículos eletrificados ainda não são produzidas no país, é crucial que as montadoras e o governo colaborem para aproveitar essas oportunidades e garantir a sustentabilidade do setor.

Considerações Finais
À medida que o mercado automotivo avança, é evidente que a adesão às práticas CKD e SKD não é apenas uma tendência passageira, mas uma resposta estratégica às mudanças econômicas e tributárias. As montadoras tradicionais precisam se adaptar e inovar, permitindo assim um futuro competitivo e sustentável para a indústria automobilística no Brasil.
