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Impactos Duradouros do Bloqueio em Hormuz nas Economias Vulneráveis

A ONU alerta para os efeitos prolongados sobre os preços dos alimentos e combustíveis

Impactos Duradouros do Bloqueio em Hormuz nas Economias Vulneráveis

Contexto do Conflito e suas Consequências

A situação no estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais vitais do mundo, tem sido marcada por tensões e bloqueios que impactaram profundamente o fluxo de petróleo e gás global. De acordo com a Organização das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), a reabertura do estreito traz um alívio imediato para os mercados de energia, mas as economias vulneráveis ainda enfrentam riscos. A agência destacou como os preços elevados de alimentos e combustíveis podem perpetuar dificuldades para as populações mais carentes, mesmo quando o abastecimento de energia se normaliza.

Recuperação das Cadeias de Suprimentos

As cadeias de abastecimento, especialmente no setor de alimentos e transporte, tendem a demorar mais para se restabelecer em comparação com os mercados de energia. A UNCTAD indica que, após mais de 100 dias de interrupção no transporte marítimo, a recuperação pode levar tempo. Essa fragilidade afeta diretamente o custo dos alimentos e a acessibilidade para as famílias, o que gera pressões adicionais sobre as economias mais vulneráveis.

Um cenário alarmante apresentado é que um aumento modesto de 5% nos preços dos alimentos pode elevar significativamente o risco de emaciação infantil, especialmente em países que já lutam para manter a segurança alimentar.

Identificação das Economias Vulneráveis

A pesquisa da UNCTAD revelou que 61 economias em todo o mundo são particularmente vulneráveis a choques relacionados às importações de petróleo e cereais. Entre elas está Cabo Verde, que depende fortemente de combustíveis importados e já está enfrentando aumentos nos custos de eletricidade, transporte e alimentação.

Além disso, o Iémen, um país que já enfrenta desafios econômicos significativos, continua exposto a flutuações nos preços dos grãos e dos custos de transporte, complicando ainda mais a situação de sua já frágil economia.

O Futuro do Comércio de Gás Natural Liquefeito (GNL)

O impacto do bloqueio também se estende ao comércio de gás natural liquefeito (GNL). Segundo estimativas da Shell, a estabilidade desse setor deve ser mantida, desde que o fluxo de comércio retorne ao normal nos próximos meses. A empresa prevê que a demanda por GNL só aumentará de forma acentuada até 2050, à medida que a Ásia busque alternativas de menor emissão em comparação ao carvão.

Segundo Cederic Cremers, presidente de gás da Shell, "o conflito causou um choque em todo o sistema, com perturbações se espalhando por todos os segmentos da economia, mas o setor de GNL se mostrou resiliente e capaz de se adaptar". Essa adaptabilidade pode ser crucial para mitigar os impactos econômicos a longo prazo.

Conclusão e Chamado à Ação

Com a possibilidade de uma recuperação lenta e os riscos persistentes, a UNCTAD apela à comunidade internacional para oferecer apoio às nações mais afetadas. O futuro econômico do mundo, especialmente das economias vulneráveis, depende de medidas eficazes e colaborativas para enfrentar os desafios impostos por conflitos geopolíticos, flutuações de preços e as consequências da pandemia global.

Escrito por Equipe Portal CTMC