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Revelações Arqueológicas: Batatas Congeladas de 500 Anos Encontradas em Armazém Inca no Peru

Descoberta sem precedentes no Vale de Acarí destaca as técnicas de preservação de alimentos da civilização Inca.

Revelações Arqueológicas: Batatas Congeladas de 500 Anos Encontradas em Armazém Inca no Peru

Uma Janela para o Passado

Durante a estação de campo de 2024, arqueólogos que trabalham em Tambo Viejo, um centro provincial Inca no Vale de Acarí, fizeram uma descoberta notável: batatas congeladas que datam de aproximadamente 500 anos, contemporâneas ao Império Inca e precedendo a invasão espanhola.

A descoberta é ainda mais fascinante por se tratar de chuño, um tipo de batata desidratada que serviu como uma importante fonte de alimento no Império Inca. Este alimento foi encontrado em uma sala de armazenamento onde um vaso de argila havia sido enterrado.

Chuño: A Solução para Viagens Longas

As batatas congeladas, conhecidas como chuño, eram uma solução alimentar que permitia às comunidades Incas transportar alimentos por longas distâncias. Ao serem expostas repetidamente ao frio noturno e à luz do dia, as batatas perdiam quase toda a sua umidade, tornando-se leves e duradouras, podendo ser armazenadas por décadas. Esse tipo de preservação era especialmente necessário para os Incas, que utilizavam caravanas de lhamas para transportar suprimentos a longas distâncias, frequentemente chegando a centenas de quilômetros até as regiões costeiras.

O Dr. Lidio Valdez, coautor do estudo, explica que, devido ao conteúdo de água das batatas, que é em média de 80%, elas apodrecem rapidamente em temperaturas quentes, o que as torna uma escolha inadequada para armazenamento a longo prazo. A técnica de desidratação do chuño, provavelmente descoberta antes do auge Inca no século XV, tornou-se uma estratégia crucial para evitar a fome.

Descobertas Significativas

A pesquisa, publicada na Journal of Field Archaeology, revelou que as duas amostras de batatas foram encontradas junto com fragmentos de cerâmica Inca e um fuso quebrado, usado para transformar fibras em fios, evidenciando a vida cotidiana e as práticas alimentares da época. O local da descoberta, na região árida da costa sul do Peru, ajudou a preservar esses restos orgânicos que normalmente se deteriorariam em condições mais úmidas.

Valdez salientou que essa descoberta não só ilumina a adaptabilidade e inovação dos Incas em termos de segurança alimentar, mas também oferece lições sobre como a civilização lidava com os desafios de seu ambiente, algo que pode ser aplicado aos problemas modernos de desperdício de alimentos e segurança alimentar.

Expectativas Futuras

Com apenas algumas escavações sistemáticas de sítios Incas na costa do Peru, Valdez acredita que mais evidências de chuño e dos complexos corredores de suprimentos que o apoiaram se tornarão aparentes à medida que mais pesquisas arqueológicas forem realizadas. Ele conclui, "Ainda temos muito a aprender com as práticas do passado", uma mensagem que ressoa especialmente em um mundo que enfrenta desafios de sustentabilidade alimentar e desperdício.

Escrito por Equipe Portal CTMC