A Revolução no Crédito Agrícola: O Novo Rumo do Plano Safra 2026/27
Atenção à qualidade do crédito e gestão de riscos é crucial para o futuro da agricultura brasileira.

O Novo Paradigma do Plano Safra
O Plano Safra 2026/27 está se aproximando, trazendo uma mudança significativa no enfoque do crédito agrícola. A partir de agora, a qualidade do crédito se torna mais relevante do que o simples volume de recursos disponibilizados. O objetivo é garantir que as linhas de crédito sejam efetivas e adequadas à realidade do campo, abrangendo análise de composição, custo, capacidade de contratação e integração com instrumentos de gestão de riscos.
Em um cenário de restrição fiscal e juros elevados, o governo anunciou um aporte de R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, ligeiramente superior aos R$ 516,2 bilhões da safra anterior. Embora o aumento seja moderado, a mudança na composição da distribuição dos fundos é significativa. A expectativa é que a análise detalhada das condições do crédito traga um impacto positivo na eficiência das operações agrícolas.

Foco nos Investimentos e Redução de Juros
Uma das mudanças importantes é a reconfiguração do orçamento destinado ao custeio e à comercialização, que caiu para R$ 384,9 bilhões, enquanto o montante destinado a investimentos aumentou para R$ 140,2 bilhões, representando 26,7% do total do orçamento, muito acima dos 19,7% do plano anterior. Essa estratégia surge como uma resposta às necessidades de modernização e adaptação frente às mudanças climáticas e aos desafios econômicos enfrentados pelo setor.
Com taxas de juros também reduzidas, setores como o custeio empresarial passaram de 14,0% para 12,5% ao ano; outros programas de apoio, como o Pronamp, baixaram suas taxas de 10,0% para 9,0%. Essas reduções, entretanto, estarão atreladas a garantias e análises de risco que assegurem a responsabilidade e viabilidade dos empréstimos concedidos.

Desafios e Oportunidades
O desafio atual não se limita a aumentar a disponibilidade de recursos: a efetiva reativação do investimento na porteira é primordial. Para isso, é necessário fomentar ganhos de produtividade nas áreas de irrigação, armazenamento, e renovação tecnológica. O futuro da agricultura dependerá de um novo modelo que não apenas oriente os financiamentos, mas também integre de maneira efetiva os componentes de seguro rural, como o Proagro e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
A preservação de um modelo informativo robusto é crucial. Sem isso, o credenciamento dos agricultores pode levar a uma carga excessiva de inadimplência e judicialização, tornando o ambiente agrícola ainda mais complexo e volátil. Assim, a construção de uma política agrícola que atenda a essas demandas deve ser encarada como uma prioridade.

A Necessidade de uma Gestão Rigorosa de Riscos
O futuro do crédito no Brasil exige uma mudança na forma como a política agrícola é planejada e executada. A ideia é desenvolver uma abordagem plurianual, onde o planejamento se estende por pelo menos três anos. Isso possibilitará uma governança mais técnica, com regras conhecidas previamente, permitindo assim um ambiente mais confortável e previsível tanto para os produtores quanto para as instituições financeiras.
Conforme apontado pelo Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV Agro, a participação dos juros controlados equalizados caiu de 48,8% para 24,8%, enquanto a dos juros não equalizados e livres aumentaram para 75,2%. A combinação correta dessas variáveis pode dar ao Brasil uma solidez maior em sua política agrícola, promovendo um ambiente de maior confiança e desenvolvimento.
Em suma, o Plano Safra 2026/27 pode ser uma oportunidade sem precedentes para reavivar o crédito e a produtividade no setor agrícola brasileiro. Contudo, isso demanda uma visão integrada e um compromisso coletivo por parte de todos os elos da cadeia produtiva.