Inadimplência do Crédito Consignado Privado Atinge 7,9% em Maio de 2026
Banco Central aponta aumento significativo na inadimplência, mas novas medidas podem trazer esperança aos consumidores.

Contexto Atual da Inadimplência
O Banco Central (BC) divulgou recentemente que a inadimplência no crédito consignado ao setor privado subiu 0,4 ponto percentual em maio de 2026, alcançando a marca de 7,9%. Esta elevação representa o maior índice desde fevereiro de 2025, quando a taxa atingiu 8%.
Com o aumento da inadimplência, que reflete as dificuldades de diversas famílias na quitação de suas dívidas, o governo brasileiro anunciou a inclusão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para empréstimos em consignado, um passo significativo para mitigar o problema.

Efeitos e Implicações da Legislação
A proposta do governo, apresentada no programa Crédito do Trabalhador, visa permitir que os trabalhadores utilizem suas reservas do FGTS para garantir empréstimos. Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do BC, enfatizou que esse aumento na inadimplência é algo a ser observado com cautela.
Rocha também indicou que a utilização do FGTS como garantia pode proporcionar uma diminuição nos índices de inadimplência e nas taxas de juros ao longo dos próximos meses. Com a adoção dessas garantias, os juros médios em maio foram de 54,1% ao ano, representando uma queda de 2 pontos percentuais em relação ao mês anterior.
Números em Números
Em um cenário de quedas nas concessões de crédito, maio registrou um total de R$ 7,6 bilhões em contratações de crédito consignado, uma significativa queda em comparação aos R$ 9,9 bilhões de abril. Essa situação se deve, em parte, ao recorde de concessões visto em março, quando o total atingiu a marca de R$ 10,8 bilhões, o maior já registrado desde 2011.
Impactos nos Diversos Segmentos de Crédito
Além do setor privado, o BC observou também a inadimplência em outros segmentos. O cartão de crédito rotativo, por exemplo, subiu para 63%, enquanto o cartão de crédito parcelado teve uma leve queda, registrando 12,5%. Essas variações revelam a complexidade do cenário de crédito no Brasil.
Movimentos Futuros e Expectativas
Conforme apresentou Rocha na coletiva de imprensa, a repercussão do programa Desenrola nos inadimplentes ainda é incerta, pois algumas linhas de crédito têm mostrado aumento na inadimplência, enquanto outras têm se beneficiado, indicando uma dinâmica multifacetada no mercado.
Outra área de preocupação é a queda no consignado do INSS, que viu um recuo significativo de 25,4%, totalizando R$ 3,7 bilhões em maio. Esse declínio pode estar atrelado ao aperto nas regras de concessão de crédito, após um processo investigativo do Tribunal de Contas da União (TCU) que destacou falhas no controle do INSS.
Considerações Finais
O aumento da inadimplência no crédito consignado é um chamado à ação tanto para os consumidores quanto para as instituições financeiras e o próprio governo. A gestão eficiente do crédito e a conscientização dos consumidores sobre suas opções são fundamentais para enfrentar esse desafio.
À medida que aguardamos a implementação das novas medidas com o FGTS como garantia, a expectativa é que isso possa não apenas reduzir os índices de inadimplência, mas também contribuir para um mercado de crédito mais saudável e acessível para todos.