PORTALCTMC
Finanças|00:00

Varejo quer vender mais TV 65" e celular caro na Copa, mas teme levar calote

Indústria e varejo se preparam para a Copa do Mundo buscando driblar a inadimplência crescente dos consumidores brasileiros.

Varejo quer vender mais TV 65" e celular caro na Copa, mas teme levar calote

A Copa do Mundo como Oportunidade para o Varejo

A Copa do Mundo, tradição global que une países e povos em torno do esporte, se transforma anualmente em uma Black Friday para os varejistas de eletroeletrônicos. Para este ano, a expectativa é especialmente otimista, com a previsão de aumento nas vendas de televisores de tela grande, em especial modelos de 65 polegadas ou mais. As smart TVs conectadas à internet e equipadas com inteligência artificial estão se preparando para a nova era da TV 3.0 interativa, cuja transmissão foi prometida pelo governo para essa edição do torneio.

Tecnologia de Ponta e Acessórios de Alta Performance

Os novos modelos de smart TVs prometem uma experiência imersiva, equipadas com tecnologia avançada que oferece ajustes automáticos de som e imagem, levando a experiência de assistir a um jogo do Brasil a outro patamar. Além disso, a tecnologia 5G está revolucionando a forma como consumimos conteúdo, permitindo transmissões em streaming de alta qualidade, tornando celulares que custam mais de R$ 1.000 a escolha ideal para quem deseja acompanhar os jogos em qualquer lugar, seja no trabalho ou em trânsito.

Desafios Fiscais do Varejo em Relação à Inadimplência

Entretanto, à medida que o varejo e a indústria tentam marcar golos nas vendas durante o primeiro semestre, eles enfrentam um obstáculo significativo: a inadimplência do consumidor. Com 44,4% dos brasileiros adultos inadimplentes em março deste ano, alcançando o maior índice desde 2015, as perspectivas de vendas otimistas começam a ser ofuscadas pela preocupação com calotes. Silvio Stagni, presidente da distribuidora de eletrônicos Allied, alertou que a maioria dos consumidores está sobrecarregada com dívidas, tornando o cenário econômico incerto para o varejo.

Esperanças no Imposto de Renda e Acesso ao FGTS

Ainda assim, o varejo depositou suas esperanças em medidas governamentais que podem aliviar a situação financeira dos consumidores. A isenção do imposto de renda para aqueles que ganham até R$ 5.000 mensais, uma iniciativa do governo Lula, pode liberar aproximadamente R$ 30 bilhões em circulação e ajudar a mitigar a inadimplência. Ademais, discute-se a liberação de até 20% do saldo do FGTS para pagamento de dívidas, beneficiando trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos.

Padrões de Compras e Inadimplência Crescente

A pesquisa "Radiografia da Inadimplência 2026", da CNDL e do SPC Brasil aponta um crescimento alarmante na faixada de três a cinco salários mínimos, que passou de 13% em 2025 para 20% este ano. A pesquisa, realizada online com 609 entrevistados, revela que muitos dos inadimplentes têm emprego, refletindo um padrão que não é necessariamente ligado à falta de trabalho, mas sim ao uso excessivo de crédito, especialmente via cartões.

A Resiliência do Varejo em meio ao Calote

Na busca por equilibrar vendas e riscos, o varejo está adotando uma abordagem cautelosa com a oferta de crédito. Lojas como Magalu e Casas Bahia estão oferecendo facilidades de pagamento, mas mantendo um controle rígido sobre a concessão de crédito. Enquanto no Magalu, a TV de 65" da LG é vendida por R$ 3.699 em 21 vezes sem juros, o diretor comercial, Luiz Fernando Rego, reafirma a cautela na oferta de crédito, citando que 68% das vendas ocorrem online.

Campanhas Marcantes no Contexto Mundial

Durante a Copa, o investimento em marketing também promete ser substancial. Estima-se um investimento de R$ 5,5 bilhões em campanhas comerciais, predominando marcas do setor de alimentos e bebidas. Em um movimento inovador, a Casas Bahia lançou a campanha "Brasil Campeão, Carnê Quitado na Mão", na qual, se a seleção vencer o torneio, as dívidas de clientes que adquiriram TVs de 65" serão liquidadas.

Perspectivas Futuras e Inovação em Tecnologia

Com a expectativa de um crescimento de "dois dígitos" nas vendas de TVs durante a Copa, o setor está se preparando para um futuro onde a integração de tecnologia e consumo se tornará ainda mais sofisticada. As campanhas promocionais e a inovação nos produtos deverão garantir que mesmo em um cenário de inadimplência, os consumidores continuem a investir em produtos que melhorem sua experiência em assistir a esportes e entretenimento.

A Copa do Mundo se apresenta não apenas como uma celebração do esporte, mas como um campo fértil para o varejo inovar e crescer diante dos desafios econômicos.