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Luto no Jornalismo: Ebrahim Ramadan e seu Impacto na Imprensa Brasileira

A morte de um dos maiores editores da história do 'Notícias Populares' traz reflexões sobre a importância do jornalismo popular.

Luto no Jornalismo: Ebrahim Ramadan e seu Impacto na Imprensa Brasileira

Uma Lenda do Jornalismo Brasileiro

O jornalista Ebrahim Ramadan, que deixou sua marca como editor do Notícias Populares por quase duas décadas, faleceu nesta quarta-feira (1º) em São Paulo, aos 91 anos. A causa do falecimento não foi divulgada, mas seu legado permanece intacto e admirado por todos que conheciam seu trabalho inovador.

Ramadan começou sua trajetória no Notícias Populares em 1972, a convite de Octavio Frias de Oliveira, então publisher da Folha. Com uma abordagem que combinava credibilidade e acessibilidade, ele se tornou um dos nomes mais respeitados na imprensa nacional. A habilidade de Ramadan em conectar-se com leitores de diferentes estratos sociais fez do NP um veículo de referência, capaz de dar voz a segmentos antes silenciados pela mídia tradicional.

Inovações e Fatos Marcantes

Uma das séries mais emblemáticas que Ramadan supervisionou foi a história do Bebê-Diabo em 1975, que se tornou um fenômeno de vendas. O relato sobre um recém-nascido que apresentava características físicas inusitadas, como um cóccix prolongado e pequenas saliências na testa, não apenas capturou a atenção do público como também elevou as vendas do periódico a novos patamares.

Com uma visão humanista e plural, Ramadan trouxe uma diversidade de vozes para as páginas do jornal. Nomes de várias esferas sociais, de Chico Xavier a Lula, passaram a ser temas no NP, refletindo as nuances da sociedade brasileira em transformação.

Um Mestre e Professor

Para colegas de trabalho, Ebrahim Ramadan sempre será lembrado como um "mestre e professor". Seu profundo conhecimento de literatura e filosofia influenciou muitos jornalistas da sua época. Antonio Marcos Soldera, que trabalhou no NP durante anos, ressaltou a capacidade de Ramadan em tornar o conteúdo acessível: "Transformou o economês dos grandes jornais em uma coisa palatável para o povo".

A pluralidade do NP também se fez presente nas discussões sobre temas LGBTQIA+, com colunas que abordavam a diversidade de uma forma respeitosa e inclusiva. Um exemplo é a coluna Espaço Gay, que se destacou por trazer intelecto e sensibilidade ao debate sobre a comunidade.

Legado e Memória

Nascido em Cedral, no interior de São Paulo, Ebrahim formou-se pela FESPSP em 1971 e teve uma carreira que se estendeu além das redações de jornais. Professor na Faculdade Cásper Líbero, ele inspirou gerações de jornalistas que continuam a honrar seu legado em suas práticas.

Seus livros de poesia, como O Beijo dos Neurônios e Vida Comprometida, revelam um lado sensível e artístico que complementava sua carreira como jornalista.

Uma Despedida Sentida

Esposo da já falecida Yolanda Minin Ramadan, Ebrahim deixa os filhos Páris Minin Ramadan e Nancy Nuyen Ali Ramadan. O velório e o sepultamento ocorreram no dia 2 de julho de 2026, no Cemitério da Vila Mariana, marcado por homenagens de amigos e admiradores.

A perda de Ebrahim Ramadan é um momento triste para a comunidade de jornalistas e para todos que valorizam o jornalismo de qualidade, acessível e inclusivo. Seu impacto e ensinamentos continuarão a ecoar nas futuras gerações, mostrando que um bom jornalista nunca se esquece.

Escrito por Equipe Portal CTMC