O que podemos aprender com os chilenos sobre superar a pobreza
Análise do programa Puente e suas lições para o Brasil

O Programa Puente: Uma Iniciativa Transformadora do Chile
O Puente foi um programa lançado pelo governo chileno em 2002, focado em levar dignidade às famílias que viviam em situação de extrema pobreza. A iniciativa, como o próprio nome sugere, criou uma ponte entre os cidadãos mais vulneráveis e os diversos serviços públicos disponíveis, que muitas vezes não chegavam a quem realmente precisava.
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Funcionamento do Programa
O primeiro componente do programa envolvia visitas domiciliares realizadas por agentes especializados, que forneciam diagnóstico e aconselhamento personalizados para a superação da pobreza. Ao se tornarem beneficiários do programa, essas famílias recebiam um cartão VIP, garantido acesso prioritário a uma ampla gama de serviços públicos.
Enquanto o Brasil conta com programas como Bolsa Família, Farmácia Popular e Minha Casa Minha Vida, o acesso a esses recursos frequentemente envolve alguma forma de burocracia. Isso levanta a questão: será que também não precisamos de uma ponte?
A abordagem chilena permite que os serviços sociais sejam levados até as famílias, ao contrário do modelo brasileiro atual, onde as próprias famílias precisam buscar os serviços disponíveis.
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Resultados e Lições do Modelo Chileno
O programa chileno também se concentrou em desenvolver um plano de ação para cada família, incluindo orientações práticas sobre como acessar os serviços disponíveis. Um segundo componente essencial era a melhoria da qualidade dos programas sociais existentes, visando aumentar a participação das famílias no mercado de trabalho.
Uma avaliação do programa Puente, publicada no The Economic Journal em 2019, revelou um aumento de 115% na taxa de inscrição de adultos pobres em programas de inclusão no mercado de trabalho. Apesar desse avanço, não foram encontradas evidências de aumento de renda ou emprego a curto ou longo prazo para aqueles que participaram dos cursos de qualificação.
Em essência, o Puente conseguiu engajar os mais pobres em programas de capacitação, mas a eficientes conexões com o mercado de trabalho ainda precisam ser desenvolvidas.
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Reflexões para o Brasil
Com base nos dados do IBGE, aproximadamente 4,7 milhões de pessoas entre os 10% mais pobres do Brasil desejam trabalhar, mas não conseguem. As lições do Chile indicam que é crucial ir até essas pessoas, entender suas necessidades e elaborar planos que realmente as encaminhem para uma inclusão produtiva. Isso implica que, além do Bolsa Família, o Brasil necessita de uma curadoria eficaz para conectar as pessoas a ofertas de cursos e oportunidades de emprego.
É necessário um novo projeto, algo como Oportunidade Família, que não apenas disponibilize recursos, mas que também funcione como um facilitador, ajudando as famílias a acessar os serviços e oportunidades que realmente podem melhorar suas condições de vida.
Oportunidades e desafios estão presentes, e as experiências do Chile servem como um guia importante para reimaginar os modelos de assistência social no Brasil.