Primeiro experimento para engrossar o gelo ártico com água do mar mostra promessas - mas há um grande obstáculo
Iniciativa pioneira em Cambridge Bay, Nunavut, revela possibilidades e desafios do método de espessamento do gelo marinho.

Cientistas testam nova técnica no Ártico
Recentemente, pesquisadores realizaram o primeiro teste científico de engrossamento do gelo marinho em campo na Cambridge Bay, Nunavut, Canadá. Os resultados iniciais mostraram-se promissores, mas a escalabilidade desse método ainda levanta questões significativas.

A técnica e seus fundamentos
A equipe de cientistas investiga uma abordagem simples e segura para combater a rápida degradação do gelo marinho ártico, que começou a derreter em um ritmo alarmante devido às mudanças climáticas. A técnica consiste em bombear água do mar sobre o gelo já existente durante o inverno, permitindo que ela congele em uma camada reforçadora.
Este método, conhecido como espessamento do gelo marinho, tem sido usado por comunidades nórdicas e árticas há décadas, assim como as pistas de hóquei no gelo que empregam técnicas semelhantes para manter a estabilidade do gelo. Edward Blanchard-Wrigglesworth, professor de pesquisa na Universidade de Washington, e Andrea Ceccolini, CEO da startup Real Ice, são dois dos autores que comentaram sobre sua eficácia.

Resultados do experimento de campo
No experimento, realizado durante o inverno de 2024 a 2025, foram estabelecidos oito áreas de teste e três sites de controle. Os pesquisadores utilizaram bombas submersíveis com baixo consumo energético para inundar as áreas de teste com até 20 centímetros de água do mar. Os resultados foram notáveis: ao final do inverno, as zonas tratadas apresentaram até 32 centímetros a mais de espessura comparadas aos locais de controle, um aumento significativamente superior aos dados históricos da última década.
As áreas de teste que foram inundadas duas vezes mostraram um espessamento ainda maior em comparação com as que receberam o tratamento apenas uma vez. Além disso, durante o período de degelo, o gelo marinho nas zonas tratadas apresentou taxas de derretimento mais lentas e permaneceu consideravelmente mais espesso.
Implicações para o clima ártico
O espessamento do gelo marinho pode potencialmente aumentar a quantidade de luz solar refletida de volta ao espaço, ajudando a resfriar a região. Gelo marinho mais espesso e brilhante contribui para um aumento na 'albedo' do Ártico, o que pode auxiliar na diminuição do descongelamento do permafrost e na redução da perda de gelo da Groenlândia.

Desafios e limitações do método
No entanto, a escalabilidade e viabilidade econômica do espessamento do gelo marinho ainda são questões em aberto. Estima-se que seriam necessários 10 milhões de bombas movidas a vento apenas para cobrir 10% do Oceano Ártico, e 100 milhões para abarcar toda a área.
O impacto ecológico e social desta técnica ainda não está bem compreendido, e pesquisas adicionais podem atrasar a implementação, tornando o método inviável quando os dados necessários forem finalmente coletados. De acordo com respostas obtidas em revisões recentes, qualquer implementação em uma escala que seria significativa para a proteção do gelo marinho enfrenta desafios logísticos e altos custos de manutenção.
Conclusão e futuras direções
Apesar dos desafios, o espessamento do gelo marinho demonstra um potencial inexplorado para ajudar as comunidades do Ártico a se adaptarem e enfrentarem as mudanças climáticas. Continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento dessas técnicas promete levar a futuras inovações que podem fornecer soluções valiosas em um mundo em constante aquecimento.