Tecnologia promete 33 mil novos empregos formais até 2026, mas desafios permanecem
Pesquisa destaca a predominância dos MEIs no setor e desafios para contratações CLT

Perspectivas do Setor de TIC no Brasil
O macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil está apresentando uma projeção animadora: a expectativa é que, até 2026, sejam criados 33 mil novos empregos formais no formato CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Contudo, um ponto crucial a ser destacado é que a maioria das novas oportunidades será direcionada a pessoas jurídicas no regime de Microempreendedor Individual (MEI).
A pesquisa realizada pela Brasscom, a associação das empresas de TIC, revela que a criação de vagas no setor será predominantemente concentrada em serviços e software. Contrapõe-se a isso a estagnação ou mesmo a retração observada em outros segmentos do setor, indicando uma polarização nas oportunidades de emprego.

Desafios da Formalização no Setor
A formalização de novos postos de trabalho se apresenta como um dos principais desafios identificados. Segundo a Brasscom, os obstáculos que dificultam maior adoção de contratações na modalidade CLT incluem um ambiente regulatório complexo e os altos custos de contratação. Um dos pontos destacados é a reoneração gradual da folha de pagamento, que tem sido considerada um fator negativo na geração de novas vagas formais.
Em 2025, a realidade foi um pouco mais desanimadora. A Brasscom apontou que o número real de novos postos CLT na tecnologia foi inferior às projeções previam. Enquanto a previsão mais conservadora era de mais de 30 mil novas vagas, apenas 23,7 mil vínculos foram efetivamente criados, representando uma queda de 39% no crescimento do emprego formal nessa área.

A Escassez de Talentos e o Futuro do Trabalho
A Brasscom também destaca uma crescente dificuldade para a entrada de profissionais jovens e recém-formados no mercado. A perspectiva para os próximos anos sugere que as empresas estão demonstrando um apetite maior por candidatos com experiência, o que pode limitar as oportunidades para a nova geração de talentos. Este cenário revela a necessidade urgente de adaptação das instituições de ensino e programas de formação profissional para atender às demandas do setor.
Diante dessas previsões, o futuro do setor de TIC no Brasil parece promissor, mas não sem seus desafios. A formalização e valorização do trabalho, juntamente com a formação qualificada de profissionais, serão fatores determinantes para que o crescimento projetado se torne realidade. A atenção das instituições governamentais e do setor privado será essencial para criar um ambiente propício para essa evolução.