O Tempo Dentro do Mini-Universo: Revelações da Física Quântica
Physicista demonstra teoria sobre a origem do tempo ao construir um 'mini-universo' em laboratório

A Emergência do Tempo em um Sistema Quântico Isolado
Um novo estudo publicado em 11 de junho na Physical Review Research marca um avanço significativo na compreensão de como o tempo se origina dentro de um sistema quântico fechado. Giovanni Barontini, um físico experimental da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, foi capaz de assistir temporalmente a um mini-universo emergir de um conjunto de átomos ultracongelados, criando um ambiente onde nada do exterior poderia servir como referência temporal. Essa descoberta inovadora levantou questões intrigantes: se o universo possui nada fora dele, de onde vem o tempo?

Experimento e Conceitos Fundamentais
Através de um experimento que envolveu a divisão de seu sistema em duas partes, Barontini ignorou uma delas, a qual ele se referiu como o “setor escuro”. Ele foi capaz de demonstrar que o tempo poderia emergir completamente de dentro desse sistema. O resultado oferece a primeira visão experimental sobre por que o universo possui tempo. “Quando você coloca tudo juntos, as coisas realmente começam a fazer sentido”, disse Barontini. “Como o tempo dentro do sistema acelerava, desacelerava ou até mesmo parava — isso foi bastante surpreendente, em quão bem tudo se encaixava de forma tão ordenada, algo que não acontece com frequência em experimentos.”
A pesquisa não é uma nova alegação de que o tempo é uma ilusão, mas sim a primeira vez que conceitos flutuantes em cosmologia quântica e termodinâmica foram testados diretamente.
Um Relógio Interno: Entropia Como Medida do Tempo
No experimento, Barontini utilizou um condensado de Bose-Einstein, uma fase da matéria que surge apenas em temperaturas próximas ao zero absoluto. Dentro desse condensado, milhares de átomos se movem lentamente, quase parando e se fundindo em um único objeto quântico, oferecendo um vislumbre fascinante das regras que regem nosso universo.

Para simular um universo sem nada ao seu redor, Barontini colocou o condensado em um recipiente e o dividiu ao meio com uma fina camada de luz laser, observando de perto um dos lados, o “setor brilhante”, enquanto ignorava o outro. Os átomos do setor brilhante se moviam de um lado para o outro, eventos que Barontini nomeou como “Big Bang” e “Big Crunch”, correspondendo respectivamente à inundação e diminuição de átomos nesse setor.
Descobertas Revolucionárias e Implicações Futuras
O mais impressionante para Barontini foi como tudo se encaixava de forma limpa. Ele não apenas observou as flutuações do tempo, mas também conseguiu derivar uma versão da equação de Schrödinger que reproduziu com precisão os resultados experimentais. “Isso foi bastante surpreendente, quão bem tudo se combinou, de forma muito ordenada, algo que não acontece com frequência em experimentos.”

O problema do tempo na física é complexo e cheio de interrogações, mas o trabalho de Barontini nos proporciona uma nova compreensão sobre como tanto o tempo quanto a direção do tempo podem emergir da ignorância de um observador. A maneira como ele optou por não observar o setor escuro significa que uma parte do sistema foi deixada sem informação, transformando-se em um novo tipo de variável temporária. Este avanço poderá abrir novos caminhos para a pesquisa em cosmologia e física quântica.