Diagnostic Dilemma: A Woman Heard Voices for Years — But Not Because of Psychosis
Exploring the Overlooked Causes of Hallucinations Linked to Hearing Loss

O Caso
A mulher, agora com pouco mais de 50 anos e residente no Canadá, começou a ouvir vozes que a chamavam pelo nome quando estava sozinha. Inicialmente, os sons eram ocasionais e surgiam em ambientes tranquilos, mas com o tempo se transformaram em murmúrios indistintos. As vozes pareciam vir do exterior e não de seus próprios pensamentos. Elas não interagiam de maneira direta, não comentavam suas ações nem davam comandos.
As Reações Médicas
Após dois anos ouvindo vozes, se submeteu a várias visitas a prontos-socorros e admissões psiquiátricas breves. Frequentemente, recebeu o diagnóstico de "psicose não especificada" e passou por múltiplas tentativas de tratamento.
O primeiro tratamento foi com risperidona, aumentando gradualmente a dose, mas sem sucesso. Os médicos tentaram então o aripiprazole e, por último, o haloperidol. Apesar de a paciente relatar uma sensação de calma, os hallucinações persistiram.
A Virada no Diagnóstico

Os médicos, atentos ao fato de que a mulher frequentemente inclinava-se para a frente durante conversas, ela também pedia para que as pessoas repetissem o que disseram. Após meses de avaliações, foi encaminhada para testes de audição, que revelaram perda auditiva moderada a severa em um ouvido e leve a profunda no outro.
Tratamentos e Resultados
Após ser equipada com aparelhos auditivos, a audição da mulher melhorou, mas as vozes continuaram. Exames de imagem do cérebro não mostraram anomalias, e exames de sangue estavam normais. Avaliações neurológicas não indicaram outras explicações possíveis. Curiosamente, a mulher continuava a trabalhar em tempo integral, gerenciando sua casa e mantendo uma vida social ativa, sem sinais de paranoia ou delírios, que geralmente acompanham distúrbios psicóticos.
O Diagnóstico Final

Os médicos, baseando-se no seu funcionamento estável, na deficiência auditiva e na falta de anomalias clínicas, concluíram que as alucinações auditivas dela eram decorrentes da privação sensorial causada pela perda auditiva.
A redução de entrada de som pode tornar regiões auditivas do cérebro excessivamente ativas, levando-as a "preencher" sons que faltam, assim como no fenômeno conhecido como musical hallucinosis, onde pessoas com deficiências auditivas ouvem músicas que na verdade não estão tocando.
A Nova Abordagem
Como as medicações antipsicóticas e aparelhos auditivos não eliminaram as alucinações, a abordagem dos médicos mudou para ajudar a mulher a lidar com as vozes. Eles explicaram a conexão entre a perda auditiva e as alucinações e a aconselharam a buscar terapia que a ajudasse a reduzir o desconforto associado a esses sons contínuos.
Reflexões Finais

Este caso evidencia que ouvir vozes não indica necessariamente psicose. O reconhecimento da perda auditiva só ocorreu após anos de sintomas e tentativas frustradas de tratamento, levando os autores do estudo a concluir que médicos devem considerar avaliações auditivas precoces em pacientes que apresentam alucinações auditivas isoladas, especialmente se a sua percepção e funcionamento diário estiverem intactos. Os médicos sugerem que a perda auditiva prolongada pode causar mudanças permanentes no cérebro que não se reverterão imediatamente após a melhora da audição.
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Nota: Este artigo tem propósitos informativos e não se destina a oferecer aconselhamento médico.