Explorando os Impactos da Reforma Tributária em Bares e Restaurantes: Divergências e Cenários Futuristas
Uma análise detalhada das diferentes perspectivas de Abrasel e Fhoresp sobre as novas legislações e seu reflexo no setor gastronômico.

Introdução à Reforma Tributária e seus Efeitos no Setor Gastronômico
Recentemente, o Brasil passou por uma significativa reforma tributária que apresentou propostas distintas para o setor de bares e restaurantes, trazendo à tona um debate intenso entre as associações representativas, especialmente a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e a Fhoresp (Federação dos Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo).
Enquanto a Abrasel alega que a reforma beneficiará o setor com uma carga tributária reduzida, a Fhoresp discorda, afirmando que a carga aumentará. Este artigo busca explorar as implicações da reforma, as incertezas que envolvem suas aplicações e as potenciais direções que o setor pode seguir.
Perspectivas Divergentes entre Abrasel e Fhoresp
A proposta da reforma inclui um regime específico para os estabelecimentos, reduzindo as alíquotas em 40% para novos tributos como o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) nas operações com alimentos e bebidas não alcoólicas. Essa medida, segundo a Abrasel, deve auxiliar o setor a manter a competitividade.

Por outro lado, a Fhoresp e outros críticos argumentam que a exclusão de alguns itens da base de cálculo, como gorjetas e taxas de intermediação, pode não ser suficiente para amortecer o aumento dos custos operacionais resultantes da nova legislação.
Os Desafios da Interpretação da Reforma
Um dos pontos mais críticos dessa reforma é a definição do que caracteriza alimentos e bebidas "preparados e manipulados no próprio local do estabelecimento". A falta de clareza sobre essa definição gera incertezas sobre a elegibilidade para a alíquota reduzida.

Questões como se um restaurante que simplesmente serve pães prontos ou uma cafeteria que apenas moí os grãos de café teria direito ao regime especial são apenas exemplos das ambiguidades que permeiam a nova legislação. Isso, segundo especialistas como Ricardo Alegransi, fere a previsão de vantagens tributárias que poderiam ser aplicadas ao setor.
Aspectos Competitivos e Financeiros da Reforma
Além da ambiguidade nas regras, a reforma estabelece que as empresas não poderão apropriar-se dos créditos de IBS e CBS nas aquisições de alimentos e bebidas fornecidas por estabelecimentos do regime especial. Isso, conforme Alegransi, poderá reduzir a competitividade das operações terceirizadas em comparação às que são realizadas internamente pelas empresas.
A situação pode levar empresas a reconsiderar suas estratégias de fornecimento de refeições e consequentemente a estrutura de custos do setor.

A Gordura das Gorjetas e Valores de Intermediação
A regulamentação também fez ajustes nas gorjetas, excluindo-as da base de cálculo, contanto que sejam integralmente repassadas aos empregados e não ultrapassem 15% do valor da refeição. Isso pode afetar negativamente restaurantes que costumam trabalhar com taxas superiores, entre eles estabelecimentos de alta gastronomia e casas noturnas.
Adicionalmente, as vendas realizadas por aplicativos de entrega, como iFood e Rappi, têm possibilidade de exclusão dos valores descontados devido às taxas de intermediação, mas isso requer uma segregação cuidadosa na documentação fiscal.
O Caminho a Seguir para os Estabelecimentos
Enquanto o debate entre Abrasel e Fhoresp se intensifica, o futuro do setor depende da adaptação a essas novas regras e da capacidade dos estabelecimentos de navegar pelas incertezas da reforma tributária. Um alinhamento entre as partes será essencial para garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor de bares e restaurantes no Brasil.
Conclusão
A reforma tributária apresenta uma nuvem de incertezas, mas também pode abrir portas para novas oportunidades se abordada com atenção e estratégia. Com um olhar voltado para o futuro, o setor deverá encontrar formas de se adaptar e prosperar diante dos novos desafios que se apresentam.