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A Crise dos Pássaros Canoros: O Comércio Ilegal e as Competições que Ameaçam Espécies

Milhões de pássaros são capturados e contrabandeados na Ásia, impulsionados por competições lucrativas.

A Crise dos Pássaros Canoros: O Comércio Ilegal e as Competições que Ameaçam Espécies

Uma Tradição em Risco

No domingo à tarde em abril, o terminal de minibus de Sukabumi, na Indonésia, parecia tranquilo por fora. Mas nos fundos, centenas de homens estavam reunidos, animados para um dos maiores concursos de canto de pássaros da região. Neste evento, um motorbike era um dos prêmios, destacando a popularidade e a importância desse hobby cultural.

Durante as apresentações, pássaros como os pequenos sunbirds e as maiores oriental magpie-robins eram levados ao palco. Contudo, o grande momento se deu com o white-rumped shama, um canto que atraiu uma multidão em silêncio, enquanto juízes avaliavam não apenas o tom, mas também a habilidade e a presença de palco de cada ave. O “Baby White” foi coroado campeão, um prazer para seu proprietário Harry Gunawan, um empresário de 78 anos.

Como Harry, muitos indonésios mantêm pássaros canoros como um hobby que proporciona alívio do estresse e, em alguns casos, lucro. Estima-se que entre 66 e 84 milhões de pássaros cativos estejam na Indonésia, com um impacto significativo sobre as espécies selvagens nas florestas, onde muitos são capturados.

A Crise dos Pássaros Canoros

A competição por prêmios valiosos — que vão de motos a dinheiro — alimenta uma cultura que, embora popular, coloca as aves em risco. Desde a década de 1970, o crescimento desse hobby tem contribuído para a extinção de algumas espécies, deteriorando a biodiversidade local e levando ao fenômeno alarmante conhecido como “crise dos pássaros canoros asiáticos”.

Agung Nur Haq, responsável pela conservação no Centro de Resgate e Reabilitação de Pássaros Wak Gatak, alerta que a perda de habitat e a caça ilegal estão criando um “sintoma de floresta vazia”, onde florestas florecentes ficam desprovidas de vida animal. Chris Shepherd, especialista em comércio de vida selvagem, descreve o comércio de pássaros da Indonésia como um dos mais prolíficos do mundo, refletindo uma grave situação ambiental.

Com cerca de 1.800 espécies de aves, o país abriga uma diversidade que é ameaçada por sua inclusão em mercados de estimação, muitas vezes envolvendo espécies ameaçadas e endêmicas. Entre elas estão o black-winged myna e o Javan green magpie, com populações em queda alarmante.

Desafios e Esperança

Estudos estimam que até 30% da população indonésia, cerca de 90 milhões de pessoas, mantenham pássaros selvagens em suas casas. Com um amor cultural profundo por esses animais, a expectativa é de que a situação mude. As crenças tradicionais sobre o sucesso, que incluem a posse de um pássaro, destacam a conexão emocional entre os indonésios e suas aves.

Embora o futuro dos pássaros canoros na Indonésia e no sudeste asiático seja incerto, é crucial que sejam implementadas políticas e conservações efetivas. O tempo está se esgotando, e a necessidade de ação imediata se torna cada vez mais premente. O que está em jogo é não apenas a sobrevivência dessas aves, mas o próprio legado cultural que elas representam.

Escrito por Equipe Portal CTMC