'He Looked Like Ramses the Great': A Journey into Experimental Archaeology and Modern Mummification
Exploring Ancient Techniques to Mummify a Modern-Day Body

Uma Nova Abordagem à Arqueologia
Em seu novo livro, Dinner with King Tut: How Rogue Archaeologists Are Re-creating the Sights, Sounds, Smells, and Tastes of Lost Civilizations, o escritor científico Sam Kean nos transporta para o peculiar mundo dos arqueólogos experimentais. Ao contrário da prática comum de escavação meticulosa, esses arqueólogos buscam replicar técnicas do passado, utilizando conhecimentos modernos e informações arqueológicas. Kean explora essa vertente, revelando descobertas intrigantes ao longo da história, desde como os habitantes das cidades da Idade da Pedra mantinham suas casas frescas até como os romanos estilizam os cabelos.

A Fascinante Tarefa de Mummificação
Um dos aspectos mais intrigantes do livro de Kean é o relato sobre dois homens que se comprometeram a mummificar um corpo humano utilizando técnicas antigas, a fim de entender melhor os métodos de embalsamento dos antigos egípcios. Apesar de outras culturas também terem praticado a mumificação, as múmias egípcias permaneceram as mais icônicas. O desafio é que os egípcios não deixaram registros detalhados sobre seus processos de embalsamento, e é aqui que a arqueologia experimental se torna uma ferramenta vital.
O Projeto de Mumificação
Howard Brier e Ronn Wade, almas ousadas nesta jornada, selecionaram seu "múmia" de um grupo de indivíduos que doaram seus corpos para a ciência em Baltimore. A escolha recaiu sobre um homem caucasiano de setenta e seis anos que faleceu devido a um ataque cardíaco, um corpo que recebeu o apelido de E. M. Balm, de forma um tanto ácida.
Para garantir a autenticidade, os pesquisadores utilizaram réplicas de ferramentas e materiais da era faraónica, como envoltórios de linho e tábuas de embalsamamento de madeira. Antes de começarem o trabalho no corpo, Brier e Wade realizaram um experimento crucial: a remoção do cérebro. Incorporando técnicas antigas, eles logrou retirar o cérebro utilizando um bastão encurvado, mas enfrentaram dificuldades com o tecido mole, que não saía facilmente. Finalmente, após várias tentativas, descobriram a técnica de usar água, transformando o cérebro em um líquido espesso que se desprendia facilmente.

O Ritual de Embalsamamento
Com as habilidades refinadas, a dupla iniciou o processo de mumificação em maio de 1994, começando pela remoção dos órgãos do corpo. Em conformidade com a prática egípcia, o cérebro foi descartado, enquanto o coração permaneceu no local, acreditando-se ser o centro da inteligência e emoções. Os órgãos abdominais foram cuidadosamente extraídos e preservados, com o retoque da cavidade abdominal utilizando vinho de palma e mirra, um passo ritual importante antes de preparar o corpo para a vida após a morte.
A Importância do Natron
Prosseguindo na técnica, Brier e Wade usaram natron, um mineral natural constituído de sal e bicarbonato de sódio, que desidrata o corpo, extraindo a umidade e impedindo a decomposição. Este processo essencial assemelha-se à conservação dos corpos na antiguidade, onde os embalsamadores tinham um profundo respeito pela transformação dos mortos, ajudando-os a transitar para a vida após a morte.

Legado e Inovações na Arqueologia
Este experimento não apenas lança luz sobre os métodos antigos de mumificação, mas também enfatiza a intersecção entre a ciência moderna e as tradições ancestrais. O trabalho de Brier e Wade nos permite vislumbrar a complexidade das práticas funerárias que têm fascinado a humanidade ao longo dos séculos. A história da mumificação está longe de ser apenas uma curiosidade; é uma ponte para o entendermos como as civilizações antigas tratavam seus mortos, refletindo seus valores e crenças sobre a vida e a morte.