Impactos do El Niño no Agronegócio Brasileiro: Desafios e Oportunidades
Entendendo como o fenômeno climático pode influenciar a produção agrícola e pecuária no Brasil em 2026.

El Niño: A Chegada de um Fenômeno Climático Ameaçador
A chegada do El Niño traz uma série de ameaças para o agronegócio brasileiro a partir do segundo semestre de 2026. Segundo especialistas, o fenômeno pode atrasar o plantio de grãos como soja e milho, reduzir a qualidade das safras e até dificultar a pecuária.
O evento climático, caracterizado pelo aquecimento anômalo do Oceano Pacífico na região equatorial, altera a distribuição das chuvas e gera variações nas temperaturas. De acordo com a Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), a probabilidade de um evento forte de El Niño ser registrado no final do ano aumentou para 81%.

Desafios para a Produção Agropecuária
O agronegócio brasileiro já enfrenta desafios como juros elevados e pressões sobre os custos de produção, principalmente devido aos impactos da guerra no Irã, que afetou o mercado de fertilizantes e diesel. O pesquisador Felippe Serigati, do centro de estudos FGV Agro, ressalta que as consequências do El Niño serão diferentes em cada região do Brasil. Por exemplo, o Sudeste pode experimentar chuvas irregulares, enquanto o Sul pode ver um excesso de água e até inundações.

Impacto nas Safras e na Pecuária
Com o atraso no plantio da soja, que ocorre de setembro a dezembro, a janela para o cultivo do milho safrinha poderá ser reduzida. Danyella Bonfim, da CNA, alerta que qualquer atraso nas chuvas pode comprometer o plantio e gerar um efeito dominó que afete diversas culturas.
Além disso, a qualidade das pastagens pode ser comprometida, resultando em maiores custos de ração para a alimentação do gado. Com a pressão sobre os custos de produção, isso acabará sendo repassado para o consumidor, aumentando o preço de alimentos como a carne de frango.
Projeções Futuras e Medidas Necessárias
Embora a situação seja preocupante, especialistas como o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos consideram prematuro falar em uma catástrofe para as safras. Ele observa que pode haver chuvas que ajudem o plantio de soja em setembro e outubro, mas ainda sim existem riscos de escassez hídrica em novembro e dezembro.
O presidente interino da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber, enfatiza a importância de boas práticas agrícolas, independentemente das condições climáticas. O produtor deve se preparar para os altos e baixos do clima, implementando estratégias que minimizem os riscos e maximizem a produtividade.