Soberania e Potências Médias na Era Digital
A Nova Geopolítica do Poder em Tempos de Inteligência Artificial

Introdução
No mundo contemporâneo, a soberania das potências médias é um tema central, especialmente em um cenário marcado pela ascensão de nações como China e Estados Unidos. Recentemente, no encontro organizado pela Fundação Körber em Berlim, líderes políticos, acadêmicos e especialistas de várias potências médias discutiram a interseção entre soberania e tecnologia, revelando uma nova topografia de poder que se desenha no futuro.
Público e Contexto do Encontro
O evento contou com a presença de figuras influentes, como Ana Palacio, ex-chanceler da Espanha, e representantes de países como Brasil, Índia, Japão, África do Sul e Indonésia. O tema central era a soberania digital e como a inteligência artificial (IA) redefine o conceito de poder nas relações internacionais.

A Queda da Influência dos EUA
Um dos pontos mais alarmantes abordados no encontro foi a queda abrupta da avaliação da influência dos Estados Unidos entre as potências médias. Enquanto em 2024, cerca de 80% dos especialistas alemães viam a influência americana como positiva, em 2026 este número despencou para apenas 10%. Em contraste, a percepção da influência chinesa foi muito mais favorável entre os participantes, com uma média de 74% de respostas positivas.
A Nova Topografia do Poder
Este novo cenário geopolítico é moldado por interações complexas entre energia, dados, minerais críticos e inteligência artificial. As potências médias agora enfrentam o desafio de mapear suas dependências tecnológicas e adotar abordagens proativas para garantir sua soberania. Como destacou Ana Palacio, a questão contemporânea da inteligência artificial é decisiva para a reconfiguração do poder.

Pontos Focais da Discussão
No evento, foram destacados três elementos cruciais para o Brasil: a energia, minerais críticos e o desenvolvimento de modelos de IA de código aberto. O país possui uma matriz energética limpa e uma grande oportunidade com o biometano, que pode oferecer independência energética e criação de empregos.
Além disso, a história da política mineral do Brasil, especialmente em relação à extração de minerais raros, precisa ser urgentemente revista para evitar que o país permaneça como apenas um exportador de recursos brutos, em vez de agregar valor localmente.
O Papel da Regulação e da Política Industrial
As potências médias devem ir além da regulação tecnológica e incorporar políticas industriais robustas para fortalecer sua posição no cenário mundial. A vulnerabilidade em relação a tecnologias produzidas em outros países é um risco que essas nações não podem se permitir correr.

Conclusão
À medida que o mundo avança para um futuro cada vez mais dominado pela tecnologia, as potências médias devem se posicionar de forma estratégica. O desafio será não apenas regular e adaptar-se às novas realidades, mas também liderar a inovação e desenvolver suas próprias capacidades tecnológicas. Ficar parado não é uma opção, e a soberania digital será o campo de batalha onde as potências médias poderão reafirmar sua influência no mundo.