Google Contesta Investigação do Cade Sobre Remuneração de Jornais por IA
A Big Tech argumenta que compensações monetárias devem ser estabelecidas por legislação, não por decisões antitruste.

Contexto da Investigação
O Google pediu ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) o arquivamento da investigação que analisa se a exibição de conteúdo jornalístico nos resultados de busca configuraria uma infração concorrencial. A empresa alega que qualquer obrigação de compensação monetária deve vir de uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional e não da atuação do órgão de defesa da concorrência.
Defesa da Big Tech
Em uma manifestação recente, o Google defendeu-se afirmando que não abusa de sua posição dominante nem explora economicamente os meios de comunicação. O presidente interino do Cade, Diogo Thomson, havia indicado que a empresa poderia estar praticando 'abuso exploratório de posição dominante' ao utilizar conteúdo jornalístico para alimentar suas pesquisas, o que poderia impactar negativamente a receita dos veículos de imprensa.

Dados Estratégicos
O Cade investiga a participação do Google no mercado de buscas, que supera 90%. A preocupação é que a empresa se beneficie de conteúdos jornalísticos sem compensá-los, levando a uma diminuição no tráfego e nas receitas publicitárias dos jornais. A investigação, que é uma continuação de um inquérito iniciado em 2018, agora se estende ao uso de inteligência artificial na exibição de conteúdo.
Contribuições para o Setor de Imprensa
A ANJ (Associação Nacional de Jornais) considera este processo um marco na proteção da indústria jornalística. Em contraposição, o Google contraria a idéia de que os veículos dependem exclusivamente de seu motor de busca para atrair leitores. Dados apresentados pela empresa indicam que menos de 30% do tráfego dos publishers brasileiros provém dos serviços de busca, enquanto a maior parte do acesso é gerada por meios diretos ou redes sociais.
Mecanismos de Controle
O Google também ressalta que os veículos de imprensa têm controle total sobre o uso de seu conteúdo por meio de ferramentas que permitem limitar sua indexação. Mecanismos como robots.txt, noindex, e nosnippet ajudam a garantir que o conteúdo não seja apropriado sem consentimento.
Legislação Como Solução
Em sua defesa, o Google argumenta que quaisquer leis que regimentem a compensação a publishers devem seguir o que foi estabelecido em outros países, onde legislações específicas foram criadas, como na França, Austrália, Canadá e Alemanha, e não por decisões de agências antitruste.
Enquanto o caso segue tramitando na Superintendência-Geral do Cade, as expectativas são altas para ver como isso se desenrolará e qual poderá ser o impacto final sobre o futuro da publicidade e do financiamento da mídia tradicional.