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Distribuidores levam Amazon e Walmart à África mesmo sem operação das empresas no continente

O crescimento do e-commerce na África impulsiona a presença de grandes marcas por meio de intermediários locais

Distribuidores levam Amazon e Walmart à África mesmo sem operação das empresas no continente

Crescimento do E-commerce na África

Os consumidores africanos estão cada vez mais comprando online de grandes marcas como Amazon e Walmart, mesmo que essas empresas ainda não tenham uma presença física significativa no continente. Esse fenômeno é impulsionado pelo crescimento da tecnologia e da internet na região, que têm permitido a atuação de intermediários locais e estrangeiros que superam desafios estruturais, como a falta de endereços formais e o acesso limitado aos serviços bancários tradicionais.

O Papel das Startups Locais

Uma das startups que tem se destacado nesse cenário é a Afrety, do Senegal. Essa empresa fornece aos consumidores locais endereços de entrega em armazéns na França, Estados Unidos e China. Após a conclusão das compras, os produtos são reembalados e enviados para a África Ocidental, onde os impostos de importação são pagos, beneficiando os governos locais. Os consumidores recebem seus pacotes diretamente em casa, mesmo aqueles que não possuem cartões bancários, utilizando uma carteira digital que pode ser carregada em quiosques.

Desafios e Oportunidades no Setor de Logística

Assim que os pacotes chegam ao Senegal, as entregas são realizadas por motos e vans que utilizam GPS para alcançar os destinos em grandes cidades como Dakar. Souane Diop, CEO da Afrety, destaca a necessidade de flexibilidade para atender a demanda crescente. Desde sua fundação em 2018, a empresa já transporta entre quatro e cinco toneladas métricas por via aérea e dois a três contêineres por via marítima a cada semana.

Por outro lado, a Aramex, uma gigante da logística global, opera na África Subsaariana através de duas plataformas diferentes. Com sua aquisição da MyUS em 2022, a Aramex visa fornecer uma variedade de produtos a seus clientes africanos, que demandam marcas e produtos que não estão disponíveis localmente.

Perspectivas Futuras

E a projeção para o futuro é otimista. De acordo com Amadou Diallo, CEO da Aramex, a empresa espera dobrar sua receita até 2030 com o aumento das vendas de produtos variados, que vão desde eletrônicos até peças automotivas. No entanto, o crescimento do comércio eletrônico é severamente restrito pela concentração de riqueza nas grandes cidades.

O Cenário do Comércio Eletrônico na África

A penetração da internet no continente africano alcançou aproximadamente 43% da população de 1,5 bilhão, mas a capacidade de compra online ainda é limitada. Mesmo na Nigéria, uma potência econômica, apenas um em cada três usuários da internet realiza compras online. Diante disso, as perspectivas diferem bastante entre as regiões, como evidenciado na África do Sul, onde a atividade de comércio eletrônico está em franca ascensão.

Movimentações do Mercado

A chegada de empresas como a Amazon, que lançou seu primeiro mercado online na África do Sul em 2024, e a abertura de lojas da Walmart em Joanesburgo mostram um movimento crescente para se estabelecer no continente. Contudo, ambas as empresas não comentaram sobre planos de expansão em outras regiões africanas.

A Jumia, uma empresa nigeriana que opera em oito países, tem se posicionado como a "Amazon da África", vendendo diversos produtos e esperando alcançar o ponto de equilíbrio ainda este ano.

O cenário do e-commerce na África, portanto, é promissor, mas repleto de desafios que demandam inovação e estratégias adaptadas às especificidades do continente.

Escrito por Equipe Portal CTMC