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Desafios e Perspectivas do Trigo no Brasil: A Menor Área Semeada em Nove Anos

Aproveite para entender as nuances da produção de trigo e suas implicações econômicas até 2026.

Desafios e Perspectivas do Trigo no Brasil: A Menor Área Semeada em Nove Anos

Introdução

O Brasil, que durante algum tempo pareceu estar próximo da autossuficiência em trigo, enfrenta novos desafios em 2026. Com uma área de cultivo em drástica redução, o país assistirá a sua menor área semeada em nove anos, conforme os dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Queda na Área Semeada

A área dedicada ao cultivo do trigo recuará para 2 milhões de hectares, o que representa uma queda de 17% em comparação à safra anterior. Os principais estados produtores, como Paraná e Rio Grande do Sul, também experimentarão reduções significativas nas suas áreas de plantio. No Rio Grande do Sul, por exemplo, os produtores deverão destinar 879 mil hectares ao trigo, uma diminuição de 24% em relação ao ano anterior.

Produção em Queda

Como consequência da diminuição da área cultivada, a produção de trigo no Brasil deve cair para 6 milhões de toneladas, uma diminuição de 24% e o menor volume registrado desde 2019. Em contraste, em 2022, a produção alcançou 10,6 milhões de toneladas, muito próximo ao consumo nacional, que é de cerca de 11,8 milhões de toneladas.

Fatores Impactantes

Historicamente, na década de 1980, o Brasil semeou até o dobro da área que está sendo cultivada atualmente. Com o tempo, os agricultores gradualmente trocaram o cultivo de trigo pela produção de milho, devido a vários fatores, como:

  • Baixa rentabilidade;
  • Pressões de mercado para a queda de preços;
  • Custos elevados e riscos climáticos associados às lavouras de trigo.

Além disso, a previsão de um El Niño intenso neste ano sugere que o excesso de chuvas na região Sul poderá afetar tanto a colheita quanto a qualidade do cereal, aumentando a preocupação dos produtores ao decidirem sobre a área de plantio.

Importações e Expectativas de Safra

De acordo com as informações mais recentes da Conab, com a queda de produção, o Brasil deverá importar 6,9 milhões de toneladas de trigo. Assim, os dados mostram que o país terá que lidar com essa dependência externa durante o ciclo agrícola de 2026.

O Cenário de Grãos em 2025/26

Além do trigo, a Conab e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também projetaram a produção total de grãos para a safra nacional de 2025/26, com estimativas que variam devido à soja e ao milho. A Conab prevê uma safra de 360 milhões de toneladas, enquanto o IBGE estima 347,4 milhões de toneladas.

Essas diferenças nos números são frequentes, refletindo as nuances e desafios intrínsecos da agricultura no Brasil.

Conclusão

A situação do trigo no Brasil nos próximos anos exigirá atenções redobradas. Para que o país possa retomar um caminho de autossuficiência, são necessárias políticas que favoreçam o cultivo, aumentem a rentabilidade e minimize riscos climáticos. O futuro da produção de trigo no Brasil dependerá tanto da decisão dos agricultores quanto das condições econômicas e naturais em que estarão inseridos.

Escrito por Equipe Portal CTMC