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Campos Elétricos Orientam a Atividade Neural: Uma Nova Era na Neurociência

Como a Influência dos Campos Elétricos Pode Transformar o Entendimento do Sistema Nervoso

Campos Elétricos Orientam a Atividade Neural: Uma Nova Era na Neurociência

O Que Está Mudando na Neurociência

A atividade elétrica dos neurônios é um fenômeno dinâmico que, apesar da constância de suas funções, pode variar significativamente durante a repetição de uma mesma tarefa. Um novo estudo revelou que as flutuações na atividade cerebral podem ser explicadas pela influência que os campos elétricos locais exercem sobre os neurônios, fenômeno conhecido como “acoplamento efrático”.

Esse achado, publicado no Cerebral Cortex, expande a compreensão de que os campos elétricos são sinais de controle essenciais para as funções subjacentes do cérebro. A afirmação de Earl K. Miller, professor do Picower Institute for Learning and Memory e do Departamento de Ciências Cerebrais e Cognitivas do MIT, ilustra bem essa mudança de perspectiva: “O cérebro é um mar revolto de influências elétricas”.

A visão tradicional da função cerebral considerava apenas as conexões sinápticas entre neurônios individuais, mas agora existe uma crescente evidência dos efeitos dos campos elétricos. Neste estudo, os pesquisadores mostraram que a variabilidade neural pode ser explicada pela forma como os efeitos efráticos influenciam a atividade neural.

Electricidade e Coordenação Neural

Em 2022 e 2023, Miller e Dimitris Pinotsis, professor associado da City St George’s, Universidade de Londres, publicaram estudos que demonstram que os campos elétricos locais na córtex cerebral não apenas refletem a informação que os neurônios estão processando, mas também organizam a atividade neural que executa esse processamento. Como um maestro de orquestra, as ondas elétricas podem conduzir multidões de neurônios para que estejam “tocando a mesma melodia”.

A equipe teorizou ainda que esses campos exercem influência física na estrutura do cérebro por meio do acoplamento citoelétrico, que altera o citoesqueleto dos neurônios, otimizando-os para que oscilem em sincronia. A possibilidade de manipular campos elétricos levanta a perspectiva de intervenções terapêuticas destinadas a melhorar a função cerebral em condições patológicas.

Perspectivas Futuras

De acordo com Miller e Pinotsis, entender como os campos elétricos influenciam a função cerebral momentânea pode permitir intervenções terapêuticas que possam corrigir circuitos neuronais defeituosos, já que seria complicado ajustar cada conexão neural individualmente. “Manipulações de campo elétrico adequadamente planejadas poderiam ajudar pacientes a reestruturar circuitos defeituosos”, afirmam os pesquisadores.

Em seus estudos prévios, analisaram sinais ao longo do tempo, documentando que os campos elétricos surgem da atividade elétrica de neurônios individuais, mas que, em última análise, representam e coordenam sua função. “Neurônios são como cidadãos individuais, e os campos elétricos são o governo deles.” Uma vez que os cidadãos estabelecem um governo, eles são então sujeitos às leis que ele cria e aplica.

No novo estudo, a equipe investigou se os campos elétricos não apenas fornecem essa influência efrática durante tarefas de memória de trabalho, mas também de maneira trial a trial, uma análise que se aproxima da operação real do cérebro.

Resultados Inovadores

Os cientistas examinaram dados de animais enquanto jogavam um simples videogame, onde tinham que memorizarem a posição de um ponto no espaço. Através da gravação da atividade elétrica neural e dos potenciais de campo local, calcularam o campo elétrico prevalente em cada momento. A análise estatística revelou que, à medida que as variações na atividade neural se apresentavam, os campos elétricos mostravam um forte efeito de influência na direção da atividade neural.

Com o acoplamento entre os dois, os campos mostraram-se dominantes, como observado nos resultados: “Os campos elétricos que emergem da atividade neural influenciam essa atividade de forma conversiva”. Além disso, o time demonstrou que a força do acoplamento efrático estava proporcional às variações no poder dos potenciais de campo locais.

Um Futuro Promissor na Terapia Neural

Este novo entendimento dos campos elétricos como parâmetros de controle abre um vasto horizonte para terapia de doenças neurológicas complexas, fornecendo novas oportunidades para tratarmos perturbações no funcionamento cerebral.

A defesa por estudos e intervenções nesse campo pode revolucionar o tratamento e o entendimento de várias condições mentais e neurológicas, revelando os segredos da complexa atividade elétrica do cérebro humano.

Escrito por Equipe Portal CTMC