Senado do Chile aprova megarreforma econômica de Kast
Nova legislação busca impulsionar a economia, mas enfrenta críticas da oposição e da população.

Valparaíso (Chile) | AFP
Na madrugada desta quinta-feira, 16 de julho de 2026, o Senado do Chile aprovou uma megarreforma legislativa proposta pelo governo de extrema direita de José Antonio Kast. O objetivo desta reforma é impulsionar a economia do país, mas a oposição de esquerda critica o projeto, argumentando que ele favorece apenas os setores mais ricos da sociedade.
O projeto agora segue para a Câmara dos Deputados, onde os partidos de direita têm maioria. Entre as principais alterações propostas, destaca-se uma redução gradual no imposto de renda das empresas, passando de 27% para 23%, um percentual próximo à média dos países desenvolvidos. Essa mudança, no entanto, levanta preocupações sobre o impacto nas receitas do Estado.

A senadora Beatriz Sánchez, uma das vozes da oposição, expressou sua preocupação durante a votação, afirmando que a cada ponto percentual reduzido, o governo deixaria de arrecadar cerca de 420 milhões de dólares (aproximadamente R$ 2,13 bilhões). Assim, a proposta inclui também um congelamento das condições tributárias por 20 anos para investimentos superiores a 350 milhões de dólares (R$ 1,77 bilhão), o que levantou questões sobre a sustentabilidade fiscal do Estado.
Após a aprovação, o ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, defendeu a reforma, afirmando que "o Chile precisa crescer, e este projeto torna isso possível". Contudo, uma pesquisa da empresa Cadem revela que quase 56% da população se opõe à redução dos impostos, enquanto a popularidade de Kast tem diminuído desde o início de seu governo.

Um aspecto interessante da questão é o impacto que a reforma pode ter na vida dos cidadãos. Ariela Jofré, uma jovem auxiliar de cozinha de 21 anos, comentou: "Não vale muito a pena. Embora possa haver mais investimento, ainda assim é importante que o Estado tenha recursos para saúde, educação e outros benefícios". É evidente que a preocupação com as necessidades sociais não é um tema menor no debate político atual.
Ainda, a proposta de reembolso para empresas cujos licenciamentos ambientais forem revogados pela Justiça é uma defesa do governo, embora receba duras críticas da oposição. O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que a reforma pode potencialmente estimular o crescimento da economia, mas também pode aumentar a pressão sobre as contas fiscais do país.
Dessa forma, a aprovação da megarreforma pelo Senado do Chile marca um momento decisivo na política econômica do país, trazendo à tona o debate sobre o equilíbrio entre o crescimento econômico e a garantia de recursos para os serviços públicos essenciais.