A Opacidade das Renúncias Fiscais Estaduais: Um Desafio para a Transparência
Entenda como a falta de transparência nas renúncias fiscais compromete o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

O Crescimento Alarmante das Renúncias Fiscais
Estudo publicado pela Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) revela que as renúncias fiscais estaduais triplicaram na última década, passando de R$ 88 bilhões em 2015 para uma estimativa de R$ 267 bilhões em 2025. No entanto, a transparência sobre esses dados não acompanhou esse crescimento, levantando questões cruciais sobre a gestão financeira pública.

Renúncias Fiscais: O Que São e Por Que Importam?
Renúncias fiscais são medidas adotadas em vários países para estimular investimentos e gerar empregos. Apesar de sua importância, no Brasil, muitas vezes, são concedidas sem avaliações prévias, prazos estabelecidos ou análises do impacto social. Essa falta de rigor gera um cenário de incerteza e desconfiança que compromete o potencial de crescimento.
A Falta de Informações Claras
Uma análise das informações disponíveis em portais de transparência das 27 unidades federativas mostra um cenário preocupante. Em estados como Roraima, Alagoas e Sergipe, não é possível encontrar dados sobre os beneficiários das isenções fiscais. Isso levanta questões éticas e práticas, pois cidadãos e entidades precisam saber de onde vem o dinheiro e como ele está sendo utilizado.

O Papel do Tribunal de Contas
Recentemente, o Tribunal de Contas de São Paulo aprovou as contas de 2025 da gestão de Tarcísio de Freitas, mas destacou as renúncias fiscais como um “orçamento paralelo”, onde 1% das empresas cadastradas recebe 80% dos benefícios. Essa concentração levanta a necessidade de discussões e ações corretivas em busca de um sistema mais equitativo.
Importância da Transparência
A transparência no processo de concessão e monitoramento de renúncias fiscais é essencial. Sendo uma forma de política pública, os dados dos beneficiários precisam ser acessíveis à população, assim como ocorre com programas sociais como o auxílio-gás e o Bolsa Família. A falta de dados claros não só compromete a justiça social como também impacta a concorrência no mercado.
A Necessidade Urgente de Ação
A Lei Complementar 170, em vigor desde 2017, exige a criação de um Portal Nacional da Transparência Tributária, mas até agora, ele não foi implementado. A sociedade tem o direito de conhecer não apenas as quantias envolvidas nas renúncias, mas também quem se beneficia delas e qual o impacto real para o desenvolvimento do país.
Em suma, renúncias fiscais sem a devida publicidade, justificativa e avaliação não são políticas de desenvolvimento; são uma bagunça que precisa ser corrigida para garantir um mercado financeiro mais forte e competitivo.