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Cármen Lúcia impede processo de ser votado no STF há 13 anos

Medida cautelar sobre royalties de petróleo e gás continua sem decisão e gera polêmicas

Cármen Lúcia impede processo de ser votado no STF há 13 anos

A Medida Cautelar Mais Antiga do STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um inusitado recorde ao manter um processo parado em seu gabinete por 13 anos, tornando-se a medida cautelar mais antiga ainda em tramitação na Corte. A decisão, que foi tomada em 18 de março de 2013, suspendeu diversos trechos de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional que tratava da distribuição dos royalties de petróleo e gás natural.

Impactos da Suspensão dos Royalties

A suspensão, decretada de forma monocrática pela relatora, impactou diretamente a arrecadação dos estados produtores, especialmente Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, que até então ficavam com 26,25% dos royalties. Sob as novas regras, a fatia dos estados produtores passaria a ser reduzida para 20%, enquanto a parte destinada aos estados e municípios não produtores aumentaria de 8,75% para 40%. Essa mudança tinha o objetivo de diminuir a concentração de receitas nas cidades que produzem petróleo e ampliar a repartição entre os entes federativos afetados pela atividade, mas que não participam diretamente da extração.

Retrocessos na Tramitação do Processo

Desde então, o processo permaneceu sem uma decisão final, com a ministra Cármen Lúcia alegando a necessidade de se construir um acordo federativo que possibilitasse um entendimento entre as partes envolvidas. Contudo, essa conciliação nunca se concretizou. Durante esses anos, o caso chegou a ser pautado para julgamento no plenário, mas a relatora optou por suspender sua análise repetidamente em resposta a pleitos dos estados interessados.

Desdobramentos Recentes

A situação se tornou ainda mais complexa após a determinação da então presidente do STF, Rosa Weber, que exigiu que todas as medidas cautelares em vigor fossem apresentadas ao plenário em um prazo de 90 dias úteis. No entanto, em 14 de junho de 2023, último dia desse prazo, Cármen Lúcia contornou essa exigência ao remeter o processo ao núcleo de conciliação do Tribunal, adiando a apreciação imediata da questão, sem ações efetivas para viabilizar um acordo entre as partes.

A Próxima Tentativa de Julgamento

O impasse sobre o caso será novamente abordado no dia 6 de maio, conforme estipulado pelo presidente do Supremo, Edson Fachin. Esta próxima tentativa de colocar o assunto em votação no plenário é aguardada com grande expectativa, mas sem garantias de desfecho.

Paralelos no TSE

Além de sua atuação no STF, o estilo de Cármen Lúcia também é notado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde, como atual presidente, levou dois anos para pautar o julgamento de um processo que poderia resultar na cassação do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium (Progressistas), e de seu vice, Edilson Damião (Republicanos). Ambos foram condenados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) por uso indevido da máquina pública para compra de votos, mas permaneceram em seus cargos devido à morosidade do TSE em analisar o recurso.

A lentidão nos julgamentos e a falta de ações concretas para resolver os impasses levantam questões sobre a eficiência e a responsabilidade dos órgãos judiciais no Brasil, refletindo uma realidade que muitos consideram insustentável.

Escrito por Equipe Portal CTMC