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Não uma dona de casa, mas uma 'vilica': As muitas responsabilidades das gerentes de fazenda na era romana que foram ignoradas pelos historiadores

Mulheres nas fazendas romanas antigas estavam encarregadas de produzir vinho, azeite – e lucros. Historiadores as descreveram como 'dona de casa'

Não uma dona de casa, mas uma 'vilica': As muitas responsabilidades das gerentes de fazenda na era romana que foram ignoradas pelos historiadores

O Papel da Vilica na Agricultura Romana

As fazendas antigas podem revelar muito sobre a história de uma civilização. (Imagem creditada: Jordi Salas via Getty Images) Historicamente, as mulheres nas fazendas romanas foram muitas vezes vistas como meras donas de casa, incumbidas de tarefas domésticas e refeições, segregadas do negócio produtivo da fazenda.

Um novo estudo, que será publicado no Journal of Roman Archaeology, desafia essa suposição. Em vez disso, evidências sugerem que muitas gerentes de fazenda romanas, conhecidas como vilica, supervisionavam a produção de vinho e outros processos vitais para a agricultura e lucros.

A Importância das Vilicas

Um manual agrícola escrito pelo autor romano Lucius Junius Moderatus Columella no século I d.C. fornece uma visão sobre as funções da gerente da fazenda. Columella, um proprietário de terras de alta classe, distingue entre o vilicus (gerente masculino) e a vilica (gerente feminina), termos que derivam de suas funções na villa.

Embora muitos historiadores tenham inicialmente se desviado do caminho, citando um filósofo grego que sugeria que a função natural das mulheres era permanecer em casa, Columella enfatiza em seu trabalho que suas próprias ideias sobre a vilica são diferentes das de Xenofon, que se referia a esposas da elite dentro de um contexto doméstico.

Responsabilidades das Vilicas

Segundo Columella, as vilicas foram encarregadas não apenas de tarefas periféricas, mas de situações complexas e cruciais que garantiam a lucratividade das propriedades. Elas eram responsáveis pela extração do suco das uvas durante a colheita e pela fermentação do vinho, processos que eram complexos e essenciais no contexto econômico romano.

Além disso, as vilicas também gerenciavam a transformação de azeitonas em azeite, outro produto valioso, e eram vistas como responsáveis por grandes operações agrícolas que produziam entre 50.000 a 100.000 litros de vinho e azeite anualmente.

A produção de vinho na Roma antiga era um processo arriscado, e os rituais de sacrifício aos deuses para evitar desastres na produção eram uma parte essencial das suas responsabilidades.

O Reconhecimento das Contribuições Femininas

A pesquisa recente sugere que devemos expandir a compreensão dos papéis desempenhados pelas mulheres romanas na produção agrícola, que foi um setor dominante nas economias antigas. Por meio da análise de mosaicos e textos antigos, podemos vislumbrar a figura da vilica não apenas como uma mera ajudante, mas como uma gestora ativa no sucesso das colheitas.

Embora nenhuma vilica tenha deixado um relato escrito de seu trabalho, a atenção aos registros disponíveis revela uma voz histórica que merece ser ouvida e reconhecida pelos historiadores modernos. O papel dessas mulheres na economia romana é uma história que, finalmente, está começando a ser contada.

Escrito por Equipe Portal CTMC