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Células Maternas Infiltram o Cérebro Durante a Gestação e Podem Persistir por Décadas, Revela Estudo Futurista

Pesquisa inova ao demonstrar que células com o DNA materno se instalam em diferentes regiões do cérebro e podem ter papéis funcionais

Células Maternas Infiltram o Cérebro Durante a Gestação e Podem Persistir por Décadas, Revela Estudo Futurista

Um Novo Olhar sobre o Microquimerismo

Uma pesquisa recente revelou que crianças podem conter células com o DNA de suas mães em seus cérebros, células estas que podem persistir ao longo das décadas. Publicados em 10 de junho de 2026 na plataforma bioRxiv, os achados ainda não passaram pela revisão por pares, mas prometem mudar nossa compreensão sobre a biologia da gestação e do desenvolvimento cerebral.

Estudo sobre células maternas

Um fenômeno denominado microquimerismo - onde mães e fetos trocam células durante a gravidez - está ganhando evidência com essas descobertas. Embora existam registros de células filhas no cérebro das mães, este é um dos primeiros estudos a documentar a presença de células maternas em cérebro infantil.

Os Métodos e a Pesquisa

A equipe liderada por Sami Kanaan do Fred Hutchinson Cancer Center analisou tecidos cerebrais de crianças submetidas à cirurgia para tratar epilepsia severa. As idades variavam de 28 dias a 19 anos, e suas mães forneceram amostras de DNA por meio de swabs bucais. Utilizando a técnica de PCR quantitativa, os pesquisadores identificaram células maternas em 70% das amostras analisadas.

Análise de células cerebrais

As células maternas foram encontradas em diversas regiões do cérebro, incluindo o córtex frontal, temporal e parietal, bem como no hipocampo. Em média, cada amostra continha cerca de 2,2 células maternas por 100.000, mas a prevalência real pode ser ainda maior devido às limitações da técnica utilizada.

Implicações Funcionais das Células Maternas

Os efeitos da presença de células maternas no cérebro infantil estão começando a ser desvendados. As células, que provavelmente eram leucócitos e células-tronco, se transformaram em vários tipos de células cerebrais, como neurônios, oligodendrócitos e microglia. Esses papéis funcionais podem impactar o desenvolvimento cerebral e a saúde mental na vida adulta.

Funcionamento das células maternas

Os pesquisadores também exploraram o tecido cerebral de indivíduos sem condições neurodesenvolvimentais, encontrando células similares em 78% dos casos analisados. Embora se suspeite que essas células também possam ser maternas, a falta de amostras de DNA materno impossibilitou a confirmação.

Perspectivas Futuras e Reflexões

As descobertas levantam questões intrigantes sobre o microquimerismo e seus potenciais efeitos a longo prazo na saúde cerebral. A diminuição do número de células maternas com a idade, sem uma completa eliminação, sugere que os efeitos podem ser duradouros.

Como a diversidade de funções dessas células se relaciona com sua origem? Serão todas de mães, ou algumas podem vir de irmãos mais velhos ou até mesmo de avós? Essas perguntas são fundamentais para ampliar nossa compreensão sobre a biologia do desenvolvimento humano.

Esses resultados destacam a necessidade de mais investigação sobre o papel das células maternas em condições neuropsiquiátricas e neurodegenerativas, representando um passo significativo para a medicina personalizada e compreensão dos vínculos biológicos entre mães e filhos.

Escrito por Equipe Portal CTMC