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Brasília só tem branco: DF dobra casos de racismo em apenas 8 anos

Aumento alarmante de registros de injúria racial na capital do país levanta a necessidade de reflexão e ação.

Brasília só tem branco: DF dobra casos de racismo em apenas 8 anos

Um retrato preocupante da injúria racial em Brasília

Recentes incidentes em Brasília, como a prisão de uma moradora após ofensas raciais a um policial negro em abril de 2026 e as agressões físicas e verbais contra um advogado negro em março deste ano, evidenciam uma realidade alarmante. Os casos de injúria racial na capital do país dobraram nos últimos nove anos, conforme dados alarmantes da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Aumento inexorável dos registros de injúria racial

Um levantamento realizado pela PCDF, solicitado pelo Metrópoles através da Lei de Acesso à Informação (LAI), mostra que entre janeiro de 2017 e 23 de março de 2026, as ocorrências de injúria racial aumentaram significativamente. Em 2017, foram registrados 431 casos, número que saltou para 870 em 2025, uma impressionante alta de 101,8%.

Os dados indicam um aumento notável de 2020 para 2021, quando as ocorrências passaram de 432 para 596. Desde então, a tendência de crescimento segue contínua.

Diversidade de crimes de discriminação

Além da injúria racial, o levantamento da PCDF também elenca outros crimes de discriminação, mostrando uma alta em quase todos os tipos de delitos. A discriminação religiosa, por exemplo, teve um aumento dramático, subindo de 16 casos em 2017 para 73 em 2024. Notavelmente, entre janeiro e março de 2026, já foram registrados 20 casos, superando os 16 do total de 2017.

Além disso, houve um aumento significativo nas injúrias preconceituosas contra idosos e pessoas com deficiência, com registros subindo de 155 em 2017 para 212 em 2025, e já contabilizando 61 ocorrências em 2026.

Aumento nos registros: uma nova consciência social?

O delegado da Polícia Civil do DF, Marco Farah, da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), analisou a situação e destacou que o aumento nas denúncias não significa que Brasília se tornou uma cidade mais preconceituosa. Segundo Farah, a “coragem de denunciar” é um fator que tem crescido entre a população, permitindo que mais casos sejam reportados.

Ele também ressaltou o impacto da Lei nº 14.532/2023, que equiparou a injúria racial ao crime de racismo, proporcionando uma sensação de segurança às vítimas, com a expectativa de que os criminosos enfrentarão consequências mais severas. Farah observou: “Esse aumento vertiginoso entre 2022 e 2023 reflete a alteração legislativa que equiparou a injúria racial ao crime de racismo, aumentando a pena-base, o que pode ter encorajado mais vítimas a denunciarem, sabendo do maior rigor penal”.

Conclusão: O que vem a seguir?

Esses números alarmantes e a crescente conscientização sobre a importância de denunciar crimes de racismo e discriminação indicam uma mudança potencial na forma como a sociedade de Brasília lida com a preconceito. As autoridades e a população em geral devem trabalhar em conjunto para promover uma cultura de respeito e igualdade, que não apenas encoraje a denúncia, mas também previna a ocorrência de tais crimes.

Escrito por Equipe Portal CTMC