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Territorialização do Voto no RJ e a Expansão do Crime Organizado na Política

A Conexão Entre Política e Crime Organizado no Contexto Fluminense

Territorialização do Voto no RJ e a Expansão do Crime Organizado na Política

O Filme do Voto e do Crime no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro, um dos estados mais emblemáticos do Brasil, tem enfrentado uma crise profunda de legitimidade em sua política. Nos últimos anos, a territorialização do voto, particularmente em Belford Roxo, tem refletido uma conexão entre a política e o crime organizado, elevando questões que nos fazem refletir sobre o futuro das democracias urbanas.

Em 2022, Belford Roxo saltou para os holofotes nacionais, com a deputada federal Daniela Carneiro e o ex-deputado estadual Márcio Canella fazendo história ao conquistarem, juntos, um percentual incomum de votos na cidade. Com uma campanha marcada por uma presença forte de policiais e milicianos, Daniela e Canella se destacaram ao obter 48% e 46% dos votos válidos, respectivamente.

Esse fenômeno não é apenas um acontecimento isolado, mas um reflexo de uma estrutura de poder que tem suas raízes nas relações promíscuas entre o setor formal e o informal, onde a influência de grupos criminosos sobre candidatos e políticos se torna cada vez mais evidente. A cientista política Mayra Goulart aponta que, embora as ambições de figuras como Daniela e Canella sejam limitadas a nível nacional, seu controle local aumenta substancialmente.

A Ascensão dos Candidatos de Milícia

O conceito de "candidatos de milícia" tem ganhado destaque nas análises contemporâneas. Segundo o sociólogo Alexandre Werneck, esses candidatos não estão necessariamente integrados em grupos criminosos, mas sua atuação reflete a filosofia dessas organizações, que se oferecem como alternativas de segurança em um contexto de ineficácia do Estado.

A atuação dessas milícias é evidenciada pela forma como se apoderam dos territórios e do voto. Historicamente, o controle de câmaras municipais se torna uma estratégia em que líderes locais, ditos “donos de votos”, vinculam-se ao tráfico e à exploração de serviços clandestinos. João Trajano Sento-Sé, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, destaca que a conexão entre o crime e a política é visível nos 65 homicídios políticos reportados na Baixada Fluminense desde 2015, um triste retrato da violência institucionalizada na política local.

Esses grupos se fortaleceram na última década, formando uma rede complexa que vai além da mera força bruta, mas que permeia a vida cotidiana na região, utilizando a coercitividade e o poder econômico para garantir a sua presença e influência.

Os Desdobramentos na Política Carioca

A Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, revelou as profundezas dessa relação entre crime e política, tornando público como essa estrutura tem se infiltrado nas instituições. O ministro Gilmar Mendes do STF, não hesitou em afirmar que metade dos deputados da Alerj estava de alguma forma ligada ao jogo do bicho, exemplificando a corrupção endêmica associada à política fluminense.

Além disso, a questão do “poder paralelo” desenvolvido por grupos armados traz à tona um novo paradigma de segurança pública, criando um cenário onde o Estado se vê desafiado por forças que ele mesmo deveria controlar. Essa situação não apenas fragiliza a política, mas também agrava a questão da cidadania e da proteção dos direitos humanos.

A permanência de governadores no cargo é uma questão delicada, uma vez que, como mencionado pelo presidente Lula, a escolha de um governador pela Assembleia Legislativa poderia resultar na eleição de indivíduos ligados ao crime organizado.

Olhar para o Futuro: Uma Nova Perspectiva

Com todos esses fatores em consideração, é imperativo que iniciativas sejam tomadas para desmantelar essas estruturas de poder que envolvem o crime e a política. O fortalecimento de uma cidadania ativa, onde os cidadãos se tornem agentes de mudança e resistência à penetracão do crime organizado, será crucial para reverter esse ciclo vicioso que ainda assola o Rio de Janeiro e outras partes do Brasil.

A estrutura política brasileira precisa encontrar um novo equilíbrio, que renove a confiança nas instituições e ofereça alternativas viáveis aos cidadãos. Neste contexto, o desafio está em como lidar com as consequências da militarização da política e a normalização do crime como força política legítima.

A luta pela integridade na política fluminense pode ser longa e difícil, mas é um caminho necessário para a construção de um futuro mais ético e responsável.

Escrito por Equipe Portal CTMC