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Ferrogrão: A Batalha pelos Estudos e os Custos Envolvidos

Ministério dos Transportes conclui que não há espaço para reajuste nas despesas com a EDLP, autora dos estudos da ferrovia entre MT e PA.

Ferrogrão: A Batalha pelos Estudos e os Custos Envolvidos

Introdução ao Projeto Ferrogrão

O projeto da Ferrogrão visa conectar o Centro-Oeste brasileiro, especificamente o estado de Mato Grosso, ao Pará, criando um novo corredor ferroviário que facilitará o escoamento da produção agrícola. No entanto, o caminho para efetivar essa proposta não tem sido fácil e envolve uma série de disputas, principalmente em relação aos custos dos estudos que embasam essa ambiciosa ideia.

Controvérsia sobre Custos dos Estudos

Recentemente, o Ministério dos Transportes e a Advocacia-Geral da União (AGU) bloquearam um pedido de reajuste da EDLP (Estação da Luz Participações), responsável pelos estudos técnicos do projeto desde 2014. O valor originalmente acordado de R$ 33,8 milhões, corrigido pela inflação, totaliza aproximadamente R$ 58,2 milhões, enquanto a EDLP reivindica R$ 172,9 milhões, alegando que custos adicionais surgiram após mais de uma década de trabalho. Gráfico dos custos do projeto Ferrogrão

A Proposta e Seus Impasses Legais

A Ferrogrão começou a ser estruturada em 2014 através de um Procedimento de Manifestação de Interesse, onde empresas privadas elaboram estudos que são disponibilizados ao governo para futuras concessões. Neste modelo, a responsabilidade pelo ressarcimento recai sobre a empresa que ganhar a licitação da ferrovia, e não sobre o governo federal.

No entanto, a execução do projeto enfrentou sérios contratempos, especialmente devido a uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), que pausou o processo de licenciamento em decorrência de preocupações relacionadas ao Parque Nacional do Jamanxim.

Retomada e Novo Cenário

Em 2023, o governo reiniciou os esforços para atualizar os estudos técnicos, com a EDLP afirmando que as modificações foram extensas e, portanto, justificam o pedido de um ressarcimento significativo. O presidente da EDLP, Guilherme Quintella, enfatiza que o projeto absorve mais de 575 mil horas/homem de trabalho realizado por engenheiros, economistas e biólogos, o que segundo ele, valida a cobrança maior. Mapeamento do projeto Ferrogrão

Análise do Ministério e Expectativas Futuras

A análise da Consultoria Jurídica do Ministério dos Transportes conclui que não existem fundamentos legais para o aumento do ressarcimento, uma vez que as revisões feitas nos estudos estavam inseridas no escopo originalmente acordado. O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro, determinou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) avance com o edital, sem considerar a nova solicitação da EDLP.

O ministro dos Transportes, George Santoro, sinalizou que a decisão pode ser reavaliada dependendo da apresentação de novos documentos pela EDLP.

Desafios Socioambientais e Grupos Oprimidos

A Ferrogrão não apenas enfrenta desafios financeiros, mas também a resistência de várias organizações ambientais e grupos indígenas, que questionam os impactos socioambientais da construção da ferrovia, num território que é crítico para a biodiversidade e para as comunidades locais. O leilão para a concessão da ferrovia está agendado para dezembro deste ano, mas a continuidade do projeto ainda depende da resolução de várias questões legais e sociais pendentes.

Conclusão

A Ferrogrão representa um projeto de grande relevância para o escoamento agrícola no Brasil, mas os obstáculos financeiros e legais apontam para um futuro incerto. O desenrolar das próximas semanas será crucial para definir os rumos desse projeto e sua aceitação pela sociedade.

Escrito por Equipe Portal CTMC