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Violência Contra Entregadores: Um Desafio Ampliado no Brasil

Relatos alarmantes de agressão e discriminação colocam em evidência a necessidade de proteção e políticas mais eficazes

Violência Contra Entregadores: Um Desafio Ampliado no Brasil

Estatísticas Alarmantes

Nos últimos três anos, a situação dos entregadores no Brasil se tornou alarmante. Quase quatro entregadores relataram casos de violência ao iFood diariamente. Entre junho de 2023 e maio de 2024, foram registradas 3.967 ocorrências de diversos tipos de violência, incluindo discriminação, ameaças, agressões físicas e até violência sexual durante o trabalho.

Esses dados revelam um contexto preocupante, onde a discriminação foi a causa mais frequente, com 1.720 relatos, seguida por 1.189 casos de ameaças e 860 agressões físicas. Os agressores são, em sua maioria, clientes, estabelecimentos parceiros ou terceiros.

Casos de Violência Contados em Primeira Mão

Marcos Felipe, 34, conhecido pelo apelido de Nenzada, compartilhou sua experiência angustiante com a violência no trabalho. Ele foi perseguido e atropelado por um motorista após uma discussão de trânsito durante uma entrega. "Consegui ser ressarcido dos danos da minha moto e o agressor pagou minhas diárias hospitalares", relata. Situações como a dele não são raras, e muitos entregadores enfrentam desafios semelhantes todos os dias.

Por outro lado, Alexandre Mendes, 51, viu-se em uma situação desconfortável, acusado de furto por uma cliente que alegou não ter recebido o produto, mesmo com registro fotográfico da entrega. Ele comenta: "Eu tive que correr atrás para provar minha honestidade".

Desigualdade Regional e Ações Corretivas

O estado de São Paulo relata o maior número de ocorrências, com 1.154 casos, seguido pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais, que registraram 603 e 205 ocorrências, respectivamente. Essa disparidade evidencia a necessidade de medidas específicas e reforço de políticas de segurança e suporte aos entregadores.

De acordo com uma pesquisa da plataforma GigU, 59,1% dos entregadores entrevistados relataram que sofreram violência ou assédio, evidenciando uma cultura de insegurança no setor. Apenas 3,4% dos entrevistados afirmaram sentir-se totalmente seguros em suas funções.

O Papel das Empresas e Legislação Necessária

A professora Maria Cecília Lemos, especialista em Direito, esclarece que as agressões sofridas por entregadores durante o trabalho devem ser consideradas como acidente de trabalho. Apesar disso, ainda não existe uma legislação federal que obrigue os aplicativos a oferecer estruturas adequadas de acolhimento jurídico e psicológico para as vítimas.

A falta de vínculo empregatício também impede que muitos entregadores tenham acesso a direitos trabalhistas importantes, como proteção social e garantias de segurança. "Reconhecer os entregadores como empregados alteraria o nível de responsabilidade das empresas", afirma Maria Cecília.

Iniciativas e Mecanismos de Apoio

Recentemente, o iFood implementou um programa de assistência que inclui atendimento jurídico, psicológico e socioassistencial para os entregadores que enfrentam violência. Ao longo dos últimos três anos, 1.308 casos de entregadores agredidos receberam esse apoio, através de um protocolo que inclui registro de ocorrências e encaminhamentos adequados.

Além do iFood, outras plataformas como a 99 destacam a importância da segurança, oferecendo serviços como monitoramento em tempo real e um botão de emergência. A Keeta também anunciou medidas de apoio, embora ainda haja uma lacuna significativa a ser preenchida nas políticas públicas.

Um Futuro para a Segurança dos Entregadores

À medida que a economia de entregas continua a crescer, a urgência por soluções eficazes aumenta. É vital que tanto as plataformas quanto os legisladores atuem em conjunto para garantir um ambiente de trabalho mais seguro e protegido. A violência não pode se tornar parte da rotina dos trabalhadores que seguram o sistema de entrega nas costas.

Escrito por Equipe Portal CTMC