Amazônia pode se regenerar mesmo degradada, mas fica muito mais frágil, diz pesquisa
Estudo revela a capacidade de recuperação das florestas, destacando a nova vulnerabilidade e a perda de diversidade.

A Amazônia e sua Capacidade de Regeneração
Uma pesquisa inovadora publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) no dia 20 de abril de 2026, destrincha a impressionante capacidade de regeneração da vegetação em florestas degradadas da Amazônia. Liderado por biólogos brasileiros, o estudo evidencia que, mesmo após o impacto devastador de incêndios, secas severas e tempestades, a vegetação não apenas sobrevive, mas também consegue se restaurar.
Novas Condições Ecológicas e Fragilidades
Ainda que haja a recuperação, esta ocorre sob novas condições ecológicas. A pesquisa aponta que espécies mais vulneráveis estão sendo gradualmente substituídas por espécies generalistas, que são mais resilientes. Esse fenômeno conduz à formação de florestas homogêneas, desafiando a ideia de savanização que alguns estudiosos vinham mencionando, mas ressaltando a resiliência do bioma.
Por outro lado, as áreas que se recuperaram estão se mostrando muito vulneráveis a novos distúrbios. A frequência crescente de eventos extremos e os impactos das mudanças climáticas, como o desmatamento e o aquecimento global, têm comprometido serviços ecossistêmicos fundamentais, como a regulação da água e a captura de carbono.
O Impacto do Aquecimento Global
O estudo, que se baseia em 20 anos de monitoramento de campo, destaca que a compreensão das novas dinâmicas ecológicas é crucial para orientar as estratégias de conservação florestal, especialmente diante de eventos climáticos como o El Niño — que afeta drasticamente os padrões de chuvas e a circulação atmosférica global.
Mensagens e Recomendações do Estudo
Leandro Maracahipes, primeiro autor do artigo e pós-doutorando na Yale School of the Environment, enfatiza que: "mesmo altamente degradadas, as florestas conseguem se recuperar. No entanto, estão muito vulneráveis a novos distúrbios". Ele adverte que a preservação desses ecossistemas é essencial, pois o controle completo sobre o fogo não é uma prática viável para toda a Amazônia.
A Perda de Vegetação e o Papel das Pesquisas
Os dados revelam que o Brasil perdeu mais de 1 milhão de km² de vegetação nativa entre 1985 e 2024, de acordo com o Mapbiomas. O projeto foi realizado em uma floresta experimental chamada Tanguro, na região de transição entre os biomas amazônico e cerrado. Este local foi escolhido por sua vulnerabilidade e por ter sido impactado constantemente por fatores estressantes como fogo e vento forte.
A Resiliência das Florestas Amazônicas
Rafael Silva Oliveira, ecólogo e professor do IB-Unicamp, explica que a pesquisa foi inovadora pois integrou múltiplos fatores estressantes e observou a degradação e posterior recuperação da floresta. "Embora mais empobrecidas em espécies, essas áreas ainda mantêm características de um ecossistema florestal". Ele também destaca que os resultados mostraram que a suspensão das queimadas resultou em uma recuperação mais rápida da estrutura e funcionamento da floresta interna, com a diversidade de espécies se mantendo estável.
Conclusões e Futuro da Amazônia
As áreas de borda, em contrapartida, vivenciam um processo de recuperação mais lento, com uma redução na riqueza de espécies que varia entre 20% e 46% durante o período analisado. Esse efeito de borda gera mudanças ecológicas nas margens das áreas desmatadas, interferindo no clima e na biodiversidade local.
As conclusões deste estudo são vitais não apenas para o entendimento da capacidade de regeneração da Amazônia, mas também para informar e moldar políticas e práticas voltadas à sua preservação e gerenciamento sustentável em um cenário de mudanças climáticas. A Amazônia, com sua complexa teia de interações ecológicas, continua a ser um quebra-cabeça que os cientistas buscam entender cada vez melhor.