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Conpresp avalia o destinamento do icônico prédio da Escola Panamericana na Av. Angélica

Votação crucial pode alterar o destino de um marco arquitetônico de São Paulo

Conpresp avalia o destinamento do icônico prédio da Escola Panamericana na Av. Angélica

O futuro da Escola Panamericana e o destino patrimonial de São Paulo

Na última segunda-feira, 27 de abril, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) se reuniu para decidir o futuro do prédio da Escola Panamericana de Artes, localizado na Avenida Angélica, em Higienópolis. Com postura controversa, a decisão se trata de um pedido de "destombamento" que já gerou intensos debates e repercussões na cidade.

O prédio, que foi tombado há aproximadamente um ano e meio, enfrenta uma ação de contestação por parte da Keeva Empreendimentos e Participações, atual proprietária do imóvel, que argumenta que o edifício não possui os atributos necessários para ser considerado patrimônio. A votação estava, até o momento, com quatro votos favoráveis ao destombamento e três contrários, aguardando a decisão do presidente do Conpresp, Ricardo Ferrari, que propôs um pedido de vistas na reunião anterior.

A importância arquitetônica da Escola Panamericana

A Escola Panamericana de Artes é uma obra icônica projetada pelo renomado arquiteto Siegbert Zanettini, que tem um legado significativo com mais de 1.200 construções na cidade e foi professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP por mais de 40 anos. Defensores do tombamento argumentam que o edifício representa um marco da arquitetura pós-moderna de São Paulo, sendo um símbolo importante do final do século XX.

Organizações civis, como o coletivo Pró-Higienópolis e o Fórum de Associações Civis da Cidade de São Paulo, expressaram forte oposição ao destombamento. Cleiton de Paula, um dos integrantes do coletivo, ressaltou que os pareceres técnico e jurídico do Conpresp recomendam a manutenção do tombamento, enfatizando que a decisão vai além da proteção de um único imóvel e impacta o sistema de preservação cultural da cidade.

As posições divergentes e os argumentos apresentados

Enquanto entidades acadêmicas e da sociedade civil se uniram em defesa do prédio, a Keeva, proprietária do imóvel, argumenta que o prédio não possui valor histórico, urbanístico, artístico ou afetivo, através de pareceres técnicos elaborados pelo arquiteto Pedro Taddei Netto. A empresa também destacou que, mesmo com a suspensão do tombamento, o prédio permanece alugado e, portanto, não está em risco de demolição. Essa argumentação foi reforçada pelo escritório de advocacia que os representa, enfatizando que a escola não tem controle sobre o processo de tombamento.

Além disso, a Keeva mencionou que o escritório de Sieghbert Zanettini, inclusive, já teve um pedido semelhante de tombamento negado. As diferenças nas posições políticas e nos votos durante a votação anterior acentuam a complexidade do debate, onde os representantes da Keeva alegaram uma mudança na perspectiva do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) que agora reconheceriam o pedido de destombamento.

O que está em jogo

A discussão sobre o destino da Escola Panamericana de Artes não é apenas uma questão de um edifício, mas envolve o futuro da preservação cultural em São Paulo e a credibilidade dos mecanismos de proteção. Orgulhar-se de uma arquitetura robusta e representativa é essencial para a identidade da cidade, e o desmantelamento dessa proteção pode abrir precedentes preocupantes para outros imóveis históricos em toda a metrópole.

Como a cidade de São Paulo se moderniza e evolui, tornar-se-á cada vez mais crucial encontrar um equilíbrio entre desenvolvimento urbano e proteção do patrimônio. A decisão de Ricardo Ferrari e do Conpresp reverberará profundamente, não somente na preservação de um edifício, mas nas futuras políticas culturais e urbanísticas da capital paulista.

Escrito por Equipe Portal CTMC