Reconstruções Fascinantes Revelam os Rostos da Hungria da Era Romana
Análise de DNA e escultura forense ajudam a trazer à vida as faces de 16 pessoas que viveram perto da antiga cidade romana de Aquincum há quase 1.700 anos.

Uma Janelinha para o Passado
O rosto de uma jovem mulher coroada com uma grinalda de louros, enterrada em roupas elaboradas e sandálias de cortiça inusitadas, ressurgiu quase 1.700 anos após sua morte. Ela é uma das 16 pessoas de Aquincum, uma cidade da era romana que hoje se localiza na Hungria, cujos rostos foram reconstruídos para a nova exposição "Uma Vez Fomos Como Você", no Museu Aquincum em Budapeste.

A exibição combina crânios escavados na antiga cidade com aproximações cientificamente informadas de como seus proprietários podem ter parecido em vida. Seis das reconstruções são modelos de silicone hiperralistas, completos com olhos artificiais, cabelo humano, sobrancelhas, cílios e, em alguns casos, barbas. A exposição, que está disponível até 31 de outubro, inclui homens, mulheres e uma criança que viveram durante o período de domínio romano na região.
Desvendando Vidas Passadas
"O rosto é a característica mais importante para reconhecer uma pessoa", afirmou Emese Gábor, uma especialista em reconstrução facial forense que esculpiu os rostos de silicone. "Embora um crânio não revele todos os detalhes da aparência de uma pessoa, a reconstrução permite que os visitantes do museu encontrem os rostos como os de 'um ser humano real ao invés de restos esqueléticos.'" De fato, a entrada da exposição "Uma Vez Fomos Como Você" no Museu Aquincum captura essa essência vibrante da vida antiga.

Aquincum ocupava a fronteira do Danúbio do Império Romano e era lar de uma população diversificada entre os séculos I e IV. As análises genéticas e arqueológicas dos indivíduos na exposição indicam conexões com regiões como a Itália, Escócia e Síria, assim como grupos sármatas da estepe eurasiática e comunidades celtas que viveram na região antes do domínio romano. Os restos dos que viveram ali continuam a ser descobertos durante as escavações de cemitérios.
Processo de Reconstrução Facial
A criação de um rosto reconstruído começa com um escaneamento 3D de alta resolução do crânio original. Especialistas produzem uma réplica exata impressa em 3D, permitindo que especialistas como Gábor trabalhem sem ter que manusear repetidamente ou perturbar os restos antigos.
"Os últimos avanços científicos — incluindo digitalização 3D, imagens por CT, análise arqueogenética (DNA antigo) e pesquisa de aproximações faciais são incorporados sempre que possível," disse ela. Em um processo de alta precisão, Gábor utiliza mais de 60 marcos anatômicos para trazer um rosto à vida a partir de um crânio humano.

A análise de DNA antigo pode fornecer pistas adicionais sobre a pigmentação, incluindo a provável cor dos olhos, cabelo e pele. No entanto, os resultados ainda são aproximações e não retratos exatos, pois detalhes como penteados e expressões são frequentemente mais especulativos.
Histórias que Ecoam no Tempo
Um dos rostos mais tocantes foi o da mulher conhecida como a múmia da Estrada Jablonka. Seu esqueleto estava relativamente bem preservado, mas o tecido mole de seu rosto havia se deteriorado, deixando apenas o crânio. Um coro daurel ainda repousava em sua cabeça, e seu sepultamento incluía roupas finas, um fuso para tecer, sandálias de cortiça em forma de pássaros e um retrato pintado de um homem que havia sido colocado próximo aos seus pés. Arqueólogos sugerem que o retrato pode ter representado seu marido ou pai, embora sua identidade seja desconhecida.
Reflexões sobre a Vida e a História
"Cada reconstrução é uma jornada," disse Gábor. "À medida que moldo cada rosto, eu me vejo refletindo sobre a vida daquela pessoa repetidamente; ao final, elas não se parecem mais com restos anônimos, mas como pessoas reais." As análises dos esqueletos sugerem que muitos dos indivíduos enfrentaram trabalho físico árduo, períodos de fome e inflamações crônicas. Essa evidência levou os curadores do museu a concluir que muitos deles representavam os habitantes menos afluentes da sociedade romana — pessoas que viveram vidas complexas, muitas vezes invisíveis na história.