Impactos das Novas Tarifas de Importação dos EUA na Indústria Calçadista Brasileira
A crise se aprofunda enquanto o CEO da Aby's alerta para uma possível queda de até 8% na produção.

Uma Tempestade no Setor Calçadista
As recentes tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos estão criando uma onda de incertezas no mercado brasileiro de calçados. Marcos Tavares, CEO da Aby's, a maior varejista do setor no Nordeste, afima que essa taxação pode levar a uma quedas na produção nacional de até 8%, exacerbando a já existente retração do mercado interno.

Desafio da Demanda e Oferta
Tavares expressa preocupação com o fato de que o Brasil pode se tornar um destino para a produção originalmente destinada aos EUA. Contudo, a grande questão é como o mercado interno poderá absorver essa produção extra. "A gente imagina que as exportações vão cair e vamos ter de procurar outros mercados. Isso vai impactar o varejo interno, que terá de receber esse produto", destaca o executivo.
A Aby's opera atualmente com 52 lojas em Alagoas, Pernambuco e Sergipe, e em 2025, a empresa reportou um faturamento anual de R$ 180 milhões, com uma projeção de crescimento para R$ 200 milhões em 2026. Porém, a nova situação imposta pelas tarifas de importação poderá afetar significativamente esses números.

A Indústria em Efeito Dominó
Os calçados brasileiros não foram incluídos na lista de exceções do governo norte-americano, privando a indústria nacional de seu principal mercado exportador. Essa decisão, segundo associações do setor, tem o potencial de espremer as margens de lucro e encarecer os produtos brasileiros em comparação com as ofertas da China e do Vietnã.
Tavares ressalta que o impacto das novas tarifas será sentido de maneira mais intensa nas fábricas em comparação ao varejo, dado que a produção voltada à exportação é negociada com meses de antecedência. Com as novas taxas, pedidos já existentes podem ser cancelados ou renegociados.

Projeções e Medidas de Mitigação
A Abicalçados, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, já revisou suas projeções de exportação, prevendo uma retração média de 7,1% ao ano. Para atenuar os impactos, a entidade está buscando apoio do governo federal para implementar medidas como linhas de crédito emergenciais.
Além disso, Tavares enfatiza que o setor calçadista possui um peso considerável na geração de empregos, principalmente por ser uma produção que depende intensivamente de mão de obra. "Há pressão no governo porque isso vai impactar diretamente o emprego. O calçadista é um dos maiores empregadores dentro do PIB industrial", finaliza o CEO.
Esse cenário complexo poderá moldar o futuro da indústria calçadista brasileira se soluções eficazes não forem implementadas rapidamente. O setor aguarda ansiosamente um desfecho que ajude a mitigar as consequências dessa nova realidade.