Impactos do Vídeo Gerado por IA na Candidatura de Flávio Bolsonaro: Análise Jurídica e Eleitoral
Professor e advogados debatem as implicações legais e a ética por trás da utilização de inteligência artificial na política.

Contexto da Exibição do Vídeo
Em 25 de julho de 2026, durante a convenção nacional do PL, um vídeo gerado por inteligência artificial mostrando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi exibido, onde ele declara apoio à candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro. O conteúdo gerado com inteligência artificial poderia provocar uma investigação quanto à sua potencial violação das restrições impostas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Reação e Implicações Legais
A aparição do vídeo levantou questões sobre a responsabilidade legal de Jair Bolsonaro, dependendo de provas que indiquem sua participação ou autorização do conteúdo. Segundo o advogado criminalista Jhonatan Fernando Ferreira, a responsabilização só seria válida caso haja indícios de que o ex-presidente consentiu ou participou ativamente da produção da mensagem.
O vídeo retrata Bolsonaro como “preso e calado” e faz questão de pedir aos presentes que recebam Flávio Bolsonaro como seu sucessor político. O uso de uma técnica de deepfake, que combina a reprodução de imagens e vozes, possibilita a manipulação de conteúdos audiovisuais, suscitando debates sobre a ética e as permissões legais de sua utilização.

Investigação pela Procuradoria-Geral da República
A PGR (Procuradoria-Geral da República) foi acionada para avaliar se houve violação das normas eleitorais, especialmente em relação ao uso de inteligência artificial para benefício eleitoral. Em um ofício, deputados do PT alegam que a divulgação do vídeo pode ter sido uma forma de contornar as sanções impostas ao ex-presidente, já que ele é proibido de fazer campanhas diretas ou indiretas.
Debate entre Especialistas e Defensores da Lei
O professor de direito eleitoral Diogo Rais analisou a situação e observou que, embora a identificação do vídeo possa reduzir as chances de engano, ainda há pontos controversos. A Resolução 23.610 do TSE proíbe explicitamente o uso de conteúdo sintético e a remediação de voz e imagem de indivíduos vivos ou falecidos para manipulação de candidaturas.
Para Rais, a situação deste vídeo, mesmo que identifique-se como uma simulação, ainda levanta questões sobre a integridade da informação e a sua utilização para promoção eleitoral irregular.

Considerações Finais: Um Futuro Digital na Política
Conforme a tecnologia avança, as práticas eleitorais podem se tornar ainda mais complexas, desafiando as normas existentes e exigindo uma reformulação nas leis que regulam a propaganda política. O evento causado pelo vídeo gerado por IA é apenas um exemplo de como as ferramentas digitais podem ser empregadas na corrida eleitoral, levantando debates sobre ética e regulamentação no âmbito das mídias sociais e da comunicação política.
À medida que nos aproximamos das datas-chave da campanha eleitoral, será crucial observar como as autoridades regulamentadoras, como o TSE e a PGR, responderão a esses novos desafios e que precedentes poderão ser estabelecidos para o futuro das eleições no Brasil.